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03 setembro 2016

O dia em que venci o medo

Sempre disse isto: eu sou a definição do medo. E os meus medos são daqueles graves porque me impedem de avançar. O meu grande medo sempre foi o "e agora?". Tenho um objectivo. Chego lá. E depois? O que é que há a seguir? E se afinal ter conquistado aquilo souber a pouco?... É um medo estúpido, eu sei. Mas foi o que me congelou até aqui.

Uma das minhas guerras de há oito anos a esta parte tem sido o meu peso. Não o peso em si, mas a forma como me sinto com o peso que tenho. Andei ali a perder e a ganhar, ora sobe, ora desce, uma coisa meio inconstante. A vontade era grande mas o medo do que vinha depois andou sempre a pairar...

Em Setembro do ano passado, eu pesava 69kg. Depois perdi e voltei a ganhar e sei que em Janeiro andava pelo mesmo peso. Depois comecei a perder. Deixei de me chatear tanto com a rigidez na comida, intensifiquei os treinos no karate, os nervos trazidos pela fase que estava a passar também deram uma ajuda e, quando dou por mim, chego a Setembro deste ano com 59,8kg (a última vez que pesei isto foi porque perdi um bebé, fiquei muito anémica, levei transfusões de sangue e o diabo a sete. Depois recuperei tudo em menos de uma semana. Voltei a andar perto disto há dois anos, quando a minha mãe teve a ruptura do aneurisma. Assim que a saúde dela estabilizou, o meu peso voltou ao normal em menos de nada). O objectivo foi sempre o mesmo: 58kg. E eu sei que isto é só um número que serve apenas para me guiar. Também já percebi que, quando chegar aos 58kg, não vou estar como quero. Terei de descer um bocadinho mais, para depois subir com aumento de massa magra. Mas é um processo.

O que é que mudou? De repente percebi que já não tenho medo. Os tais 58kg estão já ali e eu sei o que vai acontecer a seguir. A seguir vou olhar para trás, ver o caminho que fiz e decidir o que quero dali em diante. E vou correr atrás desse objectivo, seja ele qual for. Se demorar, demoro; se não conseguir, não consigo. Mas se não tentar nunca saberei.

E eu sei que sou capaz disto. A mudança em mim é brutal. Não e só o peso a menos. É voltar a reconhecer-me. É voltar a ter aquela garra que sempre me definou. É já não estar refém das circunstâncias e saber que sou capaz de as mudar. É voltar a gostar de mim. É o sorriso constante. É o apoio que tenho tido. É acreditar em mim e em tudo o que sou capaz de fazer.

Não sou exemplo para ninguém: durante oito anos fui andando à deriva, umas vezes mais focada, outras completamente perdida. E isso foi o pior: a incerteza, o medo, o não saber ao que ia nem se era capaz. Bom... já não é assim. Esta sou eu. E eu sou capaz de tudo o que me decidir a fazer. Como toda a gente é. Não acredito naquela treta do "basta querer". Não, não basta. Eu já quero há muito tempo e só agora é que estou a conseguir. Porque, além do querer, há tudo o resto. Há o fazer. Há o lutar todos os dias. Mesmo que tenhamos de dar um passo atrás de vez em quando. Entendamos de uma vez por todas que um passo atrás não é uma derrota, não é um "não consigo". É só um revés que se contorna. E depois do passo atrás dão-se outros em frente e é assim que o caminho se faz. Um passo de cada vez. Um dia de cada vez. E quando chegarmos à meta... bom, inscrevemo-nos noutra corrida e começamos a preparar-nos para ela. E cada conquista há-de saber a mel. E não há nada melhor do que olharmos para nós e gostarmos do que vemos - e não estou a falar do aspecto físico da coisa, que vale o que vale e que tem a importância que cada um lhe dá; estou a falar de gostarmos da pessoa que somos, da pessoa em que nos tornámos depois de todas as lutas que travámos. Vale a pena! E o medo... o medo é só uma maneira de não tirarmos os pés do chão. E se os tirarmos... então que seja para voar bem alto rumo ao ponto para onde queremos ir. 

2 comentários:

  1. O medo é um dos grandes impeditivos de evoluirmos. Sei qual a sensação porque também tenho os meus. Com o teu post meti-me a pensar qual era o meu maior medo, e acho que o meu é o de ser surpreendida com algo diferente do que eu planeio... e se as coisas forem diferentes do que eu planeei? Que medo!!...
    Discordo quando dizes que não és exemplo... simplesmente acho que és humana e os nosso caminhos não são suposto serem lineares. O importante é teres consciência das tuas limitações e fazeres algo em relação a isso. E acredita, nem todos têm essa coragem! Muitas vezes é mais fácil ver aquele "monstro" que nos mete medo ali e deixá-lo quietinho no canto.
    Beijinhos!

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  2. Olá

    Leio os seus posts pelo Feedly, desde que a Rita indicou no blog dele e gosto muito. Mas o de hoje, mexeu comigo, obrigada por se abrir, se expor sem medo.

    Um forte abraço

    Karol

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Obrigada!