-->

Páginas

14 novembro 2016

Generation gap

Ir à biblioteca, procurar bibliografia sobre determinado assunto, requisitar os livros, percorrer os índices à procura do que interessava, fotocopiar bocados de texto, fotocopiar imagens, recortar imagens, comprar uma cartolina, fazer linhas a lápis, muito ao de leve, para conseguirmos apagar depois, escrever o título a marcador grosso, colar as imagens recortadas, escrever blocos de texto ao lado, enrolar a cartolina sem vincar, prender com um elástico e levar para as aulas, para apresentar à turma. Tempo despendido: duas tardes.

Pedir o computador ou o tablet emprestado ao pai, abrir o Google, pesquisar o que faz falta, navegar na Wikipedia, ver imagens, tomar apontamentos num caderno, chegar a casa da mãe no domingo à hora de jantar, pedir o computador à mãe, voltar ao Google, abrir a drive para criar uma apresentação (aka, powerpoint), criar slides, passar os apontamentos para ali, juntar fotos sacadas do Google, ter aquilo mais ou menos direitinho, sem grande esforço (a mãe tratou de escrever, mas só porque a filha ainda não se orienta a pôr sinais de pontuação e acentos), fazer download como apresentação, passar para uma pen (e a dificuldade que foi encontrar uma pen em casa??) e trabalho pronto para levar para a escola. Tempo despendido: umas três ou quatro horas.

(E, de caminho, a mãe voltou a mergulha na História de Portugal e teve de explicar o que são "problemas sexuais" à criança, que resolveu que queria fazer o trabalho sobre D. Afonso VI, que calha ter tido umas chatices ali ao nível da potência sexual e sim, isto entrou no trabalho dela, oito anos, quase nove, quarto ano do ensino básico.)

Mas amei vê-la empenhada no trabalho. Quis vir para casa antes de jantar para termos tempo de fazer tudo nas calmas. Fizemos antes de jantar. Claro que depois a vantagem temporal que tínhamos ganho se desvaneceu no "não gosto desta comida, não tens mais nada? Está bem, eu como sopa, mas fazes um ovo estrelado a seguir". Está feito. O primeiro de muitos, suponho...

3 comentários:

  1. Senti exactamente o mesmo, quando se iniciaram os trabalhos do género cá em casa

    ResponderEliminar
  2. Até fiquei nostálgica com o primeiro parágrafo :D

    ResponderEliminar

Obrigada!