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22 dezembro 2016

Estender a mão

Imaginem o seguinte cenário: têm uma amiga que, por coisas da vida, não está bem. Perdeu a alegria de viver, anda triste, deixou de sorrir, tornou-se baça. Se considerarmos que respirar é viver, então ela está viva. Se viver for um bocadinho mais do que inspirar e expirar, então ela já não está cá.

Imaginem que essa amiga vos procura. Que fala convosco, que desabafa, que vos conta o que a destruiu por dentro. Abre-vos a porta para um cenário de guerra e, no fundo, está a pedir-vos ajuda. Vocês ouvem.

Imaginem agora que vão abrir a boca para dizer qualquer coisa. Se esta qualquer coisa for do tipo "vai correr que isso passa", "bebe um copo que isso passa", "vai ao cinema que isso passa", não abram sequer a boca. Não falem. Calem-se. Porque se tudo o que têm a dizer quando vos pedem ajuda é algo deste género, então saibam que não vão ajudar nada. Bem pelo contrário. E a vossa amiga, que vos chegou às mãos desfeita em bocadinhos, sai de perto de vocês ainda pior porque vocês não só não perceberam o pedido de ajuda, como ainda diminuíram aquela dor voraz que a come por dentro quando acharam que correr, beber ou sair resolve um problema que é muito maior do que ela. Ainda que a vocês possa parecer apenas uma parvoíce. Ainda que achem que ela não tem razão nenhuma para estar assim. Porque podemos achar, mas não sabemos. Saberíamos se ouvíssemos. Se escutássemos. Se víssemos para lá do que nos é mostrado à primeira vista.

Se uma amiga assim vos pedir ajuda é porque confia em vocês. É porque precisa de vocês. É porque acha que, no meio daquela tempestade brutal, vocês podem ser a balsa que a faz aguentar-se mais umas horas, mais uns dias, o tempo que for preciso até voltar a pôr o pé em terra firme. Se uma amiga assim vos pedir ajuda, saibam que ela já desistiu e que, na verdade, está de mão estendida a pedir que a segurem. Se uma amiga assim vos pedir ajuda, ouçam. Mesmo que não digam nada, ouçam. E não julguem saber o que se está a passar até ela ter revelado tudo o que ia lá dentro. Porque podemos achar muita coisa, mas se não escutarmos nunca vamos saber.  

3 comentários:

  1. Força Marianne! O que quer que seja, força! E continua a escrever; certamente que, para ti, é uma terapia. Beijinhos

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  2. A melhor coisa que essa amiga pode fazer é procurar ajuda especializada.
    A terapia faz milagres pelas pessoas. E todos precisamos de ajuda de vez em quando.

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  3. Força minha querida... um XI coração bem apertadinho. Bjus

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Obrigada!