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27 dezembro 2016

O meu filho

Quando soube que ia ter um rapaz... paniquei. Não fazia ideia de como se educa um rapaz. Não tenho irmãos, cresci com um primo dois anos mais novo do que eu e a minha experiência resumia-se a isso. Escassa, portanto. Mas não havia muito a fazer, não é? Era assumir a coisa e viver um dia de cada vez.

Tive uma sorte do caraças: saiu-me um miúdo como deve ser. Um docinho. É a coisa mais meiga do mundo. Dá os melhores abraços. Olha para mim com um amor que não acaba. Derreto-me com este mini homenzinho que está a crescer e, parece-me, a tornar-se num tipo como deve ser. Como é que eu sei isto? Pela maneira como ele trata as meninas. Para começar, tem uma namorada há uns 3 anos - acha ele, enfim... Vê-a uma vez por ano mas, se lhe falo noutras hipóteses para namorarem com ele, responde imediatamente que não quer saber porque já tem a sua Marta. Depois, com as coleguinhas da escola, sei que é um doce, super protector delas. Adora brincar com as meninas, não as põe de lado, acompanha as brincadeiras que elas querem fazer. E finalmente com a irmã que, movida pelos ciúmes, não se inibe de lhe dizer na cara que não gosta dele (e é IMPOSSÍVEL não gostar deste miúdo) e que preferia não ter irmão nenhum. Como é que ele reage a isto? Fica triste e diz-me "mãe, a Leonor não gosta de mim, mas eu gosto muito dela na mesma". Claro que isto é logo um buraco no meu coração... Mas tenho a certeza de que ele é mesmo a coisinha mais doce e só espero que se mantenha assim e que não venha de lá uma tipa qualquer toda queimadinha (provavelmente graças a um tipo qualquer que não seja exactamente como este e que a tenha tratado mal) e destrua tudo o que temos vindo a construir com ele.

Bem sei que esta meiguice toda é meio caminho andado para ele se lixar à grande pela vida fora. Mas entre ter um homem meigo, doce, carinhoso e um cubo de gelo de coração empedernido, prefiro mil vezes que ele aprenda a refazer-se se o magoarem, mantendo a doçura dele, do que ensiná-lo a defender-se logo à partida e a não deixar que nada lhe chegue ao coração.

E sorte a da mulher que um dia o conquiste a sério...

3 comentários:

  1. Sinto exactamente o mesmo, em relação ao meu bebe!

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  2. Não permites comentários no outro post, venho a este :)

    Revi-me tanto, mas tanto nas tuas palavras!... Também eu hoje escrevi sobre o estar sozinha, curiosamente.

    É difícil ser carente e não saber sê-lo... É difícil querer estar sozinha e ao mesmo tempo querer um abraço... É um equilíbrio tão difícil como cansativo!...

    Mas havemos de dar a volta a isto :)

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  3. Faço como a Agridoce, como o outro não permite comentários escrevo neste, tenho uma admiração por ti, posso tratar por tu? já tratei, que texto, assentou-me que nem uma luva, eu tenho poucos amigos e agora fez-se luz eu não deixo os outros entrar, tenho medo de não corresponder, de ser diferente do que imaginam, tenho pena às vezes sinto-me sozinha gostava de mudar isso, mas como, não é fácil correr atrás do perdido.
    2016 levou-me o meu pai, e isso leva-me todos os dias a pensar que a vida é relativamente curta para não deixar entrar as pessoas, mas agora parece que as pessoas não querem entrar, porque é que as pessoas se afastam de mim?
    beijinhos

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Obrigada!