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08 fevereiro 2017

Equilíbrio

Acho que encontrei o meu...

Tenho-me obrigado a olhar para trás e a avaliar o que foi o meu último ano, o que foram as minhas últimas guerras. Tem sido muito interessante perspectivar tudo e ver tudo com alguma distância.

Percebi que tudo o que consegui foi porque fui à luta, foi porque me esforcei, foi porque fiz acontecer. Ganhei a minha guerra com o meu peso - hoje de manhã, 57.8kg - e sinto-me muito bem comigo. Tenho treinado 4 vezes por semana, tenho objectivos, corro atrás deles e tenho conseguido chegar lá. As mudanças que tive no espaço de um mês foram o suficiente para me motivar a querer ainda mais. Não é vaidade. É querer sentir-me bem comigo. Olho para mim agora e olho para o que era em 2005 e a diferença é brutal. Tenho quase 40 anos e fui capaz de fazer isto? Hell, yeah! E isto prova que, querendo e lutando, as coisas acontecem.

Perdi os medos acerca da minha escrita e acabei o livro. Não sei o que vai acontecer a seguir, mas estou cá para descobrir. Ainda estou na fase das correcções, que vai demorar um bom bocado, e a seguir logo se vê. A única certeza que tenho é que vai haver segundo livro, que já está começado. Só porque sim. Mesmo que não seja para publicar. É uma coisa que me dá prazer, portanto é válida.

Assumi as rédeas da minha vida e fui atrás da minha felicidade. Não me enganei. Nem todos os dias são fáceis. Há coisas más, claro que sim. Mas reencontrei-me e esta sou eu. Não preciso de muito para ser feliz, é um facto. Mas preciso de me sentir eu, preciso de ter perto de mim pessoas que me deixam ser eu, que não me anulam, que não esperam que seja coisas que não sou. Preciso de pessoas que puxam por mim e não de pessoas que não são mais do que peso morto. Descobri que o meu coração é um órgão vivo, que bate com força. E foi tão bom descobrir isto...

Percebi que posso continuar a ser a miúda, apesar de ser adulta. Não tenho de me reger por imposições que não me dizem nada. Tenho quase 40 anos e às vezes sinto-me uma adolescente com tanto ainda por viver.

Deixei de fazer fretes. Já poucos fazia, agora não faço nenhuns. Estou com quem quero, quando quero. Não faço nada por obrigação, não faço o que se espera de mim só porque alguém decidiu que devia ser assim. E se me apetecer estar sozinha em casa, estou. E se me apetecer não estar, não estou. Recuso cobranças e evito fazê-las (e há tempos levei assim um abre-olhos que me corrigiu o que havia a corrigir... acho!). Dou o que quero, aceito o que me dão. Tudo o que seja forçado não serve. Tudo o que não seja por vontade não serve. Vale para ambos os lados - para o que dou e para o que recebo.

Ainda não curei aquela sensação de que nunca sou suficiente, faça eu o que fizer. Ainda não esqueci os "mas" todos que ouvi. Mas aprendi que talvez eles não sejam problema meu. Talvez seja mesmo assim. A minha maneira de não perpetuar isto é fazer diferente com quem me rodeia. Os meus filhos são suficientes sempre, por exemplo. Gosto sem "mas". E se antes não tinha problema nenhum em verbalizar sentimentos, agora ainda tenho menos. Porque quem me rodeia tem de saber que estou ali porque amo, porque quero, porque gosto. Sem aspas, sem parênteses, sem nenhum mas. Todos temos defeitos e é também por causa deles que somos quem somos. Isso não nos enfraquece - bem pelo contrário. E quando conseguimos ver as pessoas para além das suas falhas, quando conseguimos aceitá-las e amá-las apesar de tudo... é mesmo, mesmo bom. E é sempre o suficiente.

Não perdi os meus medos todos. E ainda bem. Mas sei que as coisas acontecem porque eu faço por isso. Mais medo, menos medo, tenho é de andar sempre em frente. E eu sou suficiente para os meus objectivos, para as minhas guerras, para o que quero. Duvidei muito de mim quando toda a gente à minha volta acreditava. Isso puxou-me para trás. Faltou-me a confiança. Faltou-me gostar de mim. Felizmente, tenho quem me ensine isso em pequenos gestos (e às vezes com grandes safanões, que fazem falta). E quanto mais eu gostar de mim, mais as pessoas à minha volta vão gostar também, não é? (Sem exageros, obviamente...)

E é isto. Este é o tempo para crescer. Para me fortalecer. Para conquistar. E para saborear tudo o que a vida me trouxe no ano passado (e a vida foi assim uma amiga brutal que me trouxe algumas das melhores coisas de sempre, na verdade).

1 comentário:

  1. Não há comentário que deixe que acrescente seja o que for.
    Disseste tudo, estou super orgulhosa é inspirada graças a ti. És um exemplo que tenho sempre presente. Sem merdas e sem complicações porque és o que és e eu gosto disso. Mesmo a sério. Estou muito feliz por ti. Agora é esperar para ler esse livro (já não falta tudo...).

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