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06 fevereiro 2017

O meu livro

Sexta à noite, já dia 4 de Fevereiro, três e meia da manhã, escrevi aquele **FIM** e chorei. Chorei cinco anos de guerra comigo mesma. De medos. De não saber como se faz isto de escrever um livro. De desiludir quem espera um dia vir a ler isto. De me desiludir a mim própria.

Tinha prometido que terminava isto até dia 10. Sabia que ainda me faltava fechar nós, atar pontas soltas, encerrar bocadinhos que fui deixando espalhados aqui e ali. Sexta-feira, lareira acesa, café bebido, ainda meio doente mas já a acusar a medicação e as horas de sono que tive de manhã, abri o documento e lancei-me ao caminho. E quando dei por mim estava terminado. Este longo caminho que é o meu primeiro livro está terminado. Seis dias antes do prazo que combinámos.

Falta rever. Falta mudar coisas que sei que tenho de mudar, falta acrescentar detalhes, falta reescrever alguns bocados que, tendo sido escritos em alturas de maior cansaço e menor concentração, já não me agradam por aí além.

Não sei se isto algum dia será editado. Não sei se tem qualidade para isso. Sei que cumpri o meu sonho: escrevi um livro. Nunca sonhei editar; sempre sonhei escrever. Hei-de fazer justiça ao triunvirato da realização pessoal e, visto que já tenho dois filhos, hei-de arranjar maneira de plantar uma árvore em breve.

E virá também a quinta (e, à partida, última) tatuagem. Não sei quando, mas será este ano. No Porto, com a tinta do Vesna, obviamente. Lá chegaremos.

Depois de acabar de escrever o livro estive quase três horas a digerir aquilo. Pico de adrenalina brutal. Em silêncio. Só eu e umas mensagens a dar conta do cumprimento do prazo.

Passei o resto do fim-de-semana a comemorar. Tudo no sítio certo. O coração a bater como deve ser. Os sorrisos rasgados. As conversas, os planos, os detalhes. E hoje, na praia, o sol a bater de chapa e toda a tranquilidade do mundo. Não há outro sítio onde eu queira estar. Não preciso de muito para ser feliz. Dias como ontem e hoje são tudo quanto me basta.


A seguir? O segundo livro, já começado. Sem prazos definidos (ainda), mas com a certeza de que não quero demorar cinco anos a escrevê-lo. Logo se vê o que farei com ele. Quanto mais não seja, a gaveta é um lindo sítio para morar...

(Devo muito a muito a gente por causa deste livro. Hei-de agradecer a todos, num post que vou escrever em breve. Mas por agora... obrigada a quem acreditou, a quem incentivou, a quem esteve comigo nestes cinco anos de caminho lento mas tão, tão bom...)

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