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10 abril 2017

38

Pergunta recorrente por estes dias: "mas tu tens mesmo 38 anos?"...

Tenho. A minha mãe diz que sim. O meu cartão de cidadão também. As minhas memórias também. Portanto, sim, tenho mesmo 38 anos.

Mas...

... há dias em que me sinto com 6 anos: completamente inocente, sem saber nada sobre nada, o mundo é um lugar novo com tudo para conhecer...
... noutros tenho 16, já sei mais ou menos quem sou, não tenho grandes preocupações, adoro ser irreverente e dançar no meio da rua, se me apetecer...
... noutros tenho 22, já escolhi o meu caminho mas estou a começar a andar, ainda não sei de todos os tombos que vou dar, ainda acredito em tanta coisa...
... noutros dias tenho mesmo 38 anos, dois filhos, o mundo a fazer-me peso nas costas, esta sou eu, cheia de duvidas, meia dúzia de cabelos brancos, os anos a converterem-se em conhecimento mas ainda tanto por descobrir...
... depois há dias em que me sinto com uns 60 anos, a vida já toda para trás, os meus filhos na vida deles, eu sozinha na minha, eu e os gatos, eu e os livros, eu e o silêncio, o corpo a dar de si, a pele ressequida, a história a ser contada, esta sou eu, aquilo foi o que eu vivi...
... e noutros sinto-me com 90 anos, o mundo já acabado, não ando cá a fazer nada, fui feliz quando tive de ser, a vida passou por mim como uma onda que me engolisse, vim à tona, tornei a afundar e agora já só sou um peso morto, não tenho mais nada a fazer aqui, já não tenho nada por viver...

Mas no geral sim, tenho 38 anos, esforço-me por ter muito menos do que isso, não que me afecte a idade que tenho (porque, na verdade, sinto-me muito melhor agora do que quando tinha 26 ou 27), mas porque quero espremer ao máximo o meu tempo, absorver tudo, viver como puder e ser feliz, se a vida mo permitir. Hoje, por exemplo, tenho 20 anos e o mundo é demasiado pequeno para tudo o que quero fazer.

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