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03 abril 2017

Quem és tu, miúda?

Várias vezes o mesmo comentário: pareces uma miúda, tens que idade, mesmo?, impossível teres trinta e oito.

Há dias em que me sinto com noventa. Como se já tivesse vivido tudo e não houvesse mais nada a acrescentar. São raros estes dias, e ainda bem.

Na maioria dos dias, tenho dezasseis anos. Acredito em amores como nos filmes (mas depois duvido de tudo e acho que tudo tem prazo de validade), oiço a mesma música que ouvem os filhos dos meus amigos (e sou incapaz de conviver com a música que ouvem os pais, os tais que são meus amigos e, portanto, mais ou menos da minha idade), sinto-me muito confortável de jeans e ténis (embora me saiba bem o empoderamento que um par de saltos altos me dá de vez em quando), sou capaz de começar a dançar no meio da rua e não me levo nada a sério. Sei que tenho os dias contados e, por isso, aproveito-os ao máximo. Às vezes quase me esqueço disto e deixo-me definhar um bocadinho, mas depois relembro e sigo.

Se me perguntassem, também não diria que tenho trinta e oito anos. Menos dez, talvez. E sabe-me bem esta condição, esta leveza que às vezes tenho. Sabe-me bem olhar para o espelho e não ver os tais trinta e oito anos. Ou então sabe-me bem ver o que faço com esta idade e que, quem sabe, me vai permitir chegar a uma idade considerável a parecer ligeiramente mais nova. Se aos oitenta parecer que tenho setenta e oito já está ganho...

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