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07 abril 2017

Sobre a minha filha...

Houston, we have a problem...

Ando aqui num dilema que me apetece partilhar convosco.
A minha filha. A minha filha é uma cópia fiel de sua mãe: feitio difícil (estou a ser simpática, ok?), muitas inseguranças e um corpo igual, que vem exactamente do mesmo sítio de onde veio o meu. Aquela miúda é das que se mexe o mínimo indispensável. Eu era igual: odiava educação física e só comecei a gostar de praticar desporto quando saí da escola e o desporto deixou de ser obrigatório... (e quando passei a pagar para isso, vá...). Adora tudo o que seja doce: chocolates, gomas, bolos, cereais... ela come. Devora, é o termo correcto. Em casa limito-lhe muito o acesso, mas eu não estou sempre com ela e não controlo a 100%. Resultado disto: uma miúda que, com 9 anos, veste roupa para 12. Ok, é alta - sempre foi percentil 90 de altura, é um facto. Mas também está a ficar redondinha. Rabiosque saliente, uma barriguinha ali a aparecer, a cara redonda, toda ela grande. Não é gorda, está longe de ser obesa. Mas eu sei exactamente o que ela vai passar quando tomar consciência de que aquilo não é bom para ela. E sei porque passei exactamente pelo mesmo. Foram anos e anos e anos a não gostar do que via ao espelho. Foram anos e anos e anos a tentar mudar sem conseguir. Foram muitas angústias e ainda mais inseguranças. Foi o precisar de validação externa que é coisa de que ainda não me livrei a 100% (e é uma imbecilidade, eu sei). Ela para lá caminha.

E eu ando aqui entre o querer que ela faça um caminho diferente, mais saudável e mais feliz, e o não lhe querer meter macaquinhos no sótão acerca do corpo dela. É querer que ela se aceite tal como é, mas ao mesmo tempo não querer que ela passe pelo que eu passei. É querer que ela cresça feliz, sem as tais angústias e não querer que esteja sempre a pôr-se em causa e a achar que não chega.

Como é que se gere isto? Aquilo que posso fazer, faço: evito que coma porcarias, insisto em lanches saudáveis, prefiro tê-la zangada comigo porque não a deixei comer um chocolate do que deixar que o coma e saber o que isso lhe vai fazer. Quero que ela saiba que é linda seja de que maneira for, mas não quero que tenha problemas de saúde. Quero que se aceite, mas não quero que se desleixe - não por uma questão estética mas por uma questão de saúde.

É difícil este equilíbrio, não é?

6 comentários:

  1. Como tu própria dizes, não vais conseguir controlar a alimentação dela a 100%. Proibir excessivamente pode levá-la a comer às escondidas ... E que tal um desporto intenso, que queime mais calorias e a ocupe bastante o seu tempo ? Natação, ginástica, (ela não andava no karaté ?) Estou a passar exatamente pelo mesmo, é difícil que meninas tão novas tenham essa consciência e desejo de mudança, por outro lado, nós mães que já passámos por tudo aquilo, não queremos vê-las sofrer mais tarde... Ter alimentos saudáveis em casa, pouco processados, comer um bom pequeno-almoço (sem cereais açucarados) fazer refeições completas com sopa, prato principal e fruta, já não é mau... Boa sorte.

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    1. Só vai voltar ao desporto extra escola no ano lectivo que vem... Mas sim, a ideia é que ela faça um desporto que puxe por ela... o que pode ser contraproducente, porque pode dar-lhe ainda mais fome!! :D

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  2. Acho que a melhor solução é não assusta-la com essas coisas! Fazer por ter comida saudável em casa e falar com as crianças, explicar o que faz mal e o que faz bem, dizer que estamos preocupados com a saúde, que não queremos que eles fiquem doentes, enfim... E dar um bom exemplo também é uma grande ajuda! Encontrar um balanço sem traumatizar a miúda, digo eu que engordei aos 22 e por iniciativa própria privei-me demais e só deu porcaria. Não obcecar com a alimentação nem com a preocupação com o corpo é a melhor solução para as coisas correrem pelo melhor :)

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  3. Querida Lénia, é natural as preferências pelos doces e salgados nos jovens. Existem estudos que mostram que só aos 25 anos temos a maturação cerebral para fazer escolhas equilibradas.
    Naturalmente que não a consegue controlar sempre. Mas isso é um facto, agora como médcia dou-lhe algumas sugestões:
    - dar o exemplo e nisso parece-me que está a dar com a adopção dos estilos de vida saudáveis que tem partilhado connosco;
    - Como mãe e para impedir o foco na imagem corporal pode abordar a questão pelo lado da saúde. Não tem que se referir ao corpo dela, refira apenas que a mãe gosta dela e por isso se preocupa com a sua saúde, daí que a comida que lhe oferece seja saudável. Aqui o truque pode ser: o que não há em casa não se come. Se em casa não há bolachas/chocolates, não dá para comer bolachas/chocolates em casa.
    - A bebida de eleição deve ser sempre a água. Se não há sumos, não se bebem sumos.
    - Iniciar a refeição pela sopa ajuda a "encher" com alimentos saudáveis e pouco calóricos que irão limitar o que come no 2.º prato.
    - A mesa é local apenas para comer, isto é, permanecer na mesa após a refeição (por exemplo, enquanto se questiona pelo decorrer do dia) é um "erro", pois favorece que se coma mais qualquer coisa.
    - Naturalmente que sem extremismos. Claro que existem dias de especiais, mas que não são a regra.
    Boa sorte e firmeza com carinho é a chave para o sucesso ;)

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  4. A tua filha tem 9 anos. NOVE. Esta questão é uma não questão. AS pessoas não valem pelo corpo que têm, e nós temos que lutar contra isso. Dá-lhe um bom exemplo; põe-na a fazer desporto; promove uma alimentação saudável e trabalha a auto-estima. Ponto. Ela pode gostar do corpo dela mesmo que não seja 'perfeito' - what the hell is a perfect body? Desde que seja saudável, o resto é conversa. Se tudo piorar, leva-a a uma nutricionista que lhe explique a importância de uma alimentação saudável. Sem drama.

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    1. Claro que é uma questão!! O meu problema não é ela vir a não ter um corpo "perfeito" (estou-me nas tintas para isso, sempre estive). O que me preocupa é a saúde dela e são as questões de autoestima que já começam a aparecer. Estou sempre a dizer que não é gorda, que está óptima e tal... mas o que é facto é que, no Verão passado, à conta da falta de regras, aumentou 5kg, o que é manifestamente muito para a idade dela. O que me preocupa é que ela não tenha a noção de regra e de excepção. É que varra tudo o que lhe aparece à frente. É que coma menos às refeições (comida tendencialmente saudável), para guardar espaço para as porcarias que come a seguir. Em casa, tenho muito pouca coisa que sai fora do saudável, já para evitar que haja opções à disposição.

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Obrigada!