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07 maio 2017

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Enquanto te despes, o espelho devolve-te o golpe. Aquela és tu. Esse é o corpo que te carrega. Desvias o olhar porque não aceitas as curvas, não reconheces os excessos, esta não és tu. Tu és a outra, quase transparente, que se desloca como se flutuasse. Tu és a outra, cabelo loiro sempre perfeito, nenhum ponto a corrigir, imagem alva da beleza sublime. Esta és tu. Todas as falhas, as rugas, os poros com restos de vida a massacrá-los. Esta és tu. Muito mais do que o corpo que te carrega, és a mente que não se aceita. Perfeitamente imperfeita.

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