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16 maio 2017

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Menina Eulália fazia questão no batom cor de rosa muito brilhante, a tinta a desbotar pelas rugas pequeninas que lhe mirravam a boca, os dentes alvíssimos, muito direitos que dormiam as noites dentro de um copo com uma pastilha de limpeza. Os olhos azuis já baços guardavam todas as histórias. Tinha sido uma mulher lindíssima. Exibia fotografias antigas porque se orgulhava no epíteto que conquistara a reboque da genética: era a mulher mais bonita daquela cidade. Teria podido escolher o marido que bem entendesse; todos a queriam. Escolheu viver sozinha, livre de encargos e preocupações, só ela e a vida.

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