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18 maio 2017

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Amiúde, durante o tempo que dura um café bebido no varandim com vista para o rio, observo a vida lenta que acontece na casa em frente. Um homem, setenta e muitos anos, oitenta, talvez, anda devagarinho pelas divisões. Rega as plantas esquálidas no parapeito da cozinha. Faz a cama no quarto ao lado. Vai à janela estender umas cuecas e um par de meias, que apanhará dali a umas horas ou assim que der conta de ter começado a chover. Por vezes, depois de estender a roupa, assenta os cotovelos no parapeito, acende um cigarro e morre mais um pouco.

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