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21 maio 2017

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Gostava que, por um dia, o vento soprasse a meu favor. Talvez então pudesse deixar ir o trabalho que me massacra e render-me ao talento. Talvez então pudesse olhar de novo aquele sorriso que deixei escapar porque tive medo do que viria com a entrega. Talvez pudesse aprender a deixar que a brisa leve do fim de tarde me leve onde quer que eu faça falta. Cedi sempre ao medo. Deixei-me ficar. Agora, quase sessenta anos, os dias são pequenas ampulhetas que me recordam de quão pouco tempo me resta. Quem me dera ter tido coragem para não me entregar.

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