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08 maio 2017

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Morro cada vez que me perguntam de que morreu a minha filha. Revivo tudo. As noites em branco, a sossegar-lhe as dores; as orações a múltiplos deuses, um qualquer, não importa qual, desde que a salve; as lágrimas choradas sem ombro onde as secar, sem ninguém que me ouvisse, sem ajudas de espécie nenhuma; a certeza de que tudo dependia apenas do tempo, a morte a caminho, era só esperar que chegasse, uma espécie de redentor, último carrasco, certeza de uma dor que haveria de ficar até ao fim da minha vida. De que morreu ela? De melancolia sem fim.

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