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09 maio 2017

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Sei que escondi algures um molho de cartas, guardei-as todas, são o que resta do nosso amor. Sei que as guardei numa caixa de madeira com um cadeado, se bem me recordo. Foi ele quem escreveu primeiro, mandou um aerograma, procurava uma madrinha. Calhou-me a mim. Sei que me pareceu simpático e por isso respondi. Esteve quatro anos no Ultramar. Trocámos dezenas de cartas. Escrevia bem, ele. Contava coisas da guerra, mas poupava-me às desgraças piores. Mortes e assim. Depois voltou, vinha cansado mas feliz por regressar. Casámos nesse Verão. Nunca nos encontrámos. Esqueci onde guardei as cartas.

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