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12 maio 2017

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Vem sempre às três, pedia-lhe. E naqueles olhos nasciam de novo todas as estações. Era como se entrasse em erupção, um pequeno vulcão feliz cuja lava se soltava pelo olhar. Eu nunca estava lá à hora a que eu próprio marcava. Queria ver se esperava, se permanecia ou se desistia de mim assim que me percebia de novo atrasado. Esperava sempre. O tempo que fosse preciso. Dez minutos, uma hora, várias horas. Quando finalmente chegava, nunca dizia nada, justificação nenhuma que explicasse a demora. Nunca me perguntou porque me atrasava. Recebia-me com um sorriso e o vulcão entrava em erupção.

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