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10 maio 2017

Por que escrevo

Não sei se já alguma vez falei disto... das razões que me fazem escrever.

Desde miúda que a escrita é a minha forma de expressão. Há quem cante, há quem dance, há quem pinte; eu escrevo. Lembro-me perfeitamente da primeira "história" que escrevi. Andava no 5º ano, portanto teria 10 ou 11 anos. Todas as semanas dava às minhas três melhores amigas (a Marta, a Susana e a Vânia) uma ou duas folhas A4 com o capítulo dessa semana. Não sei quanto tempo aquilo durou. Sei que elas gostava de ler e que isso me fez querer continuar a escrever.

Sempre adorei ler - culpemos a solidão de ser filha única e o facto de passar muito tempo sozinha - e fui tendo a sorte de apanhar bons professores de Português que, percebendo a minha paixão, me incentivavam a escrever. Depois veio o DNJovem e, durante vários anos, fui publicando contos e poemas mais ou menos aleatoriamente. E cá no fundo sempre a mesma certeza: quero escrever...

Escrevo porque tenho cá dentro mil histórias que me pedem que as conte. Mas, mais do que isso, escrevo porque quero que quem lê o que eu escrevo sinta coisas. Pode ser medo, raiva, angústia, tesão, melancolia, saudade, nojo, compaixão. Não importa. Cada vez que um texto meu faz com que um leitor sinta qualquer coisa, a aposta já está ganha. Lembro-me de, há uns anos, uma amiga me ter pedido desculpas por não ter conseguido ler um conto meu: o nojo que aquilo lhe provocou não a deixou terminar a leitura. Fiquei mesmo feliz com a reacção. Claro que prefiro que leiam até ao fim mas se escrevi de tal maneira que não conseguiram continuar a ler, em certos caso, é um óptimo sinal, não é?

Ainda estranho quando me dizem que choraram a ler alguma coisa que eu escrevi. Já me aconteceu várias vezes com outros autores e percebo de onde isso vem. Mas comigo isso acontece com escritores como deve ser... por isso estranho tanto quando me dizem que aconteceu com um texto meu.

Não sei se algum dia me poderei chamar escritora. Sei que, cá dentro, é isso que sinto que sou. É assim que me concretizo. É assim que sou feliz. E é isto que quero dar de mim: as histórias e os sentimentos e as sensações. E se um dia alguém disser que isto ou aquilo que eu escrevi o marcou imenso, seja de que forma for... então terei conseguido chegar lá. 

É por isto que escrevo: porque é a melhor forma de me dar. 

1 comentário:

  1. Que engraçado Lénia, gostei tanto deste post.
    Também me pergunto muitas vezes porque escrevo. Acima de tudo porque é terapêutico. Quase catarse.
    Os professores de português que tive também foram muito importantes. Souberam cultivar a sementinha.
    Mas, isso que tu dizes de provocar a comoção, é sem dúvida, o melhor. É viciante. Tipo droga. Mas boa.
    Também não me auto intitulo de escritora, aliás acho que apesar de gostar de escrever, não tenho paciência nem disciplina para escrever um livro. Gosto de me apelidar de contadora de estórias. Porque é isso. É contar estórias. Continua. Gosto de te ler. De ser consumidora de palavras também. Beijinhos

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