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13 junho 2017

Sobre a vida

Há um ano, Alfama mudou a minha vida. Não ia aos Santos há uns 15 anos (ou mais!), estive quase para não ir mas, à última da hora, resolvi que afinal ia. Foi a melhor decisão que tomei em muito tempo. A minha vida já estava a caminhar para onde eu a queria e aquela noite foi o sinal de que eu precisava. Foi "A Noite".

Fast forward. Um ano.

Este ano não queria ir aos Santos. Ia ser horrível, eu ia sofrer a sério por estar profundamente infeliz num sítio onde tinha sido tão feliz há 365 dias. Cedi às pressões e fui. Arrependi-me na hora. Para não ir para o mesmo sítio do ano passado, escolheu-se a Bica. Para mim, dava igual. Eu queria era voltar para Alfama, há um ano. Ontem, podiam ter-me levado para o inferno que era perfeitamente irrelevante. Comecei a perceber aquele ambiente. Detestei cada segundo. Só miúdos, encontrões de meia-noite, uma zona que parecia o Bronx. Um horror. Estacionámos algures perto de um arraial, ao fundo do Elevador da Bica. Sentei-me num degrau e chorei, chorei, chorei... Revivi o quão feliz tinha sido um ano antes. Aceitei a tristeza que agora tenho de carregar. Vou ter de aprender a viver com ela, até que um dia já não me doa. Por enquanto dói, e muito. Saí dali assim que pude. Chateada, zangada com o mundo, com a vida, com a injustiça do que estou a viver. É o que é - não sou eu a fazer-me de vítima, sou eu a constatar factos.

Há um ano, Alfama foi o palco da felicidade que eu não sabia que existia. Foi a ante-estreia. Foi o Prólogo. Este ano, nesta noite, a Bica foi o inferno na Terra. Nunca mais.

Para o ano, o mais certo é não ir a lado nenhum. Veremos. Mas, se for onde me leva o coração, de certeza que acabarei em Alfama, a ser feliz novamente, ou a recordar com ternura aquela noite, há dois anos, em que o meu mundo mudou para muito melhor. Até lá, a ferida terá sarado, ainda que o amor se mantenha igual.

[E este ano estive em Alfama no sábado à noite. E soube bem. Soube mesmo bem. Porque, lá está, estive no sítio onde guardo o meu coração. E a minha vida só faz sentido assim, com o coração entregue ao que amo.]

1 comentário:

  1. Leio estas palavras e anseio por um momento igual ao teu, de Alfama, há um ano.
    Quem sabe daqui a outro ano estejamos as duas a comentar este teu post, vertendo palavras alegres que mostrem que o ontem (hoje) foi, tão só, uma nuvem negra que passou.

    Força e um beijinho muito grande de quem te lê há algum tempo e ainda não havia comentado.

    Isabel

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