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03 outubro 2017

Compromissos

Assustam-me as pessoas que têm medo de compromissos. Como se duvidassem da sua própria capacidade de entrega. Como se vivessem ali num limbo, num meio-viver onde tudo é inconsequente. Assustam-me as pessoas que têm medo do definitivo, sendo que efectivamente definitiva, bom, só a morte, não é? Tudo o resto são quereres de agora.

Eu quero hoje. Amanhã posso não querer. Mas enquanto quero, quero muito. E estou lá, inteira nesse meu querer. Entrego-me. Vou ao fundo das coisas, porque acho que só assim as vivo em pleno. Viver pela metade não é a minha praia, nunca foi.

Tenho coisas definitivas na minha vida: os meus filhos, as minhas tatuagens. Coisas que não posso nem quero mudar. Que não mudaria, ainda que pudesse. Se tive medo de me arrepender? Claro. Mas prefiro arrepender-me do que está feito do que do que ficou por fazer, ali perdido no tal limbo da inconsequência.

Não significa fazer all in em todas as jogadas. Significa simplesmente aceitar e abraçar o momento. E se o momento é bom, por que não fazê-lo perdurar? Por que não garantir que sim, é aqui que estou, é aqui que quero estar? Quando não quiser, há como inverter o cenário e ninguém morre por isso. Mas até lá estou por inteiro nas coisas a que me entrego.

Quando te comprometes com as coisas - sejam relações, empregos, amizades, tarefas, desafios, o que for -, na verdade, não estás a criar raízes. Não és uma árvore, certo? Mas não há nada mais bonito do que uma pessoa que se empenha e que permite que o mundo possa contar consigo. Sem mas.




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