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19 outubro 2017

#MeToo

Não duvido nada de que todas, sem excepção, tenhamos em algum momento da vida sido vítimas de assédio ou de agressão sexual. Não me recordo de uma única mulher, entre as que conheço, que não tenha passado por isto, de uma forma ou de outra.

Não vou particularizar nem contar as minha histórias. Sim, plural. Não é importante o quando, o onde, o como, o porquê nem o quem. Aconteceu. Não aconteceu porque provoquei, não aconteceu porque eu quis, não aconteceu porque eu deixei. Isso não seria assédio. Seria qualquer coisa consentida. Não é o caso.

Continua a haver a ideia de que, se nos vestimos assim ou assado, é porque queremos alguma coisa. Se dizemos uma piada qualquer é porque queremos alguma coisa. Se não viramos costas a uma conversa sobre sexo é porque queremos qualquer coisa. Não é. Pode ser apenas porque nos sentimos confortáveis na nossa pele. E isso não autoriza ninguém a fazer o que quer que seja.

Eu não sou propriedade pública. Nenhuma de nós é. E nada dá a ninguém o direito de nos assediar, seja de que forma for. E enquanto continuarmos a achar que a culpa pode ter sido nossa, não aprendemos nada sobre o assunto.

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