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30 novembro 2017

Depois

Não acho que dependa só de nós. Ninguém escolhe estar no lodo para sempre. Não é bom. Não é saudável. Não traz grande benefício (a não ser, claro, que sejas escritor e escrevas muito melhor quando estás no fundo do poço do que quando andas feliz e contente - é o meu caso, para que conste). Portanto, um dia, depois de o pior já ter passado, resolves que é tempo de levantar a cabeça. Paras de olhar para trás e olhas em frente. E até pode estar nevoeiro (D. Sebastião, sois vós?), mas olhas em frente e, à medida que vais dando pequenos passos, vais vendo cada vez melhor. E o nevoeiro dissipa-se. Recuperaste o sorriso. O teu sorriso. Olhas e vês: o tal sorriso que te define, que diz tanto sobre ti, que mostra tanto do que tu és.

Depois percebes que aquela coisa de seres a energia que queres atrair se calhar não é uma coisa tão descabida quanto isso. Porque olhas à tua volta e vês sorrisos. Coisas boas. E quando tens alguém que está onde já estiveste, num lugar mais escuro, consegues atirar uma corda para ajudar a puxar. Já sabes que o buraco escuro não dura para sempre. Sabes quanto custa, mas sabes que acaba. E é bom que saibas, porque só assim podes ajudar quem está agora a passar por isso.

No fim, aprendeste. Cresceste. Sabes que sobreviveste. Mais uma vez, reinventaste-te. E baaaammm... aí estás tu de novo. A caminho. De quê? De mais sorrisos. A caminho de um sítio bom. E já estás mais perto de lá chegar.

3 comentários:

  1. Não, não depende só de nós.
    E sim, quando vês alguém que está onde estiveste queres esticar a mão e ajudar (mesmo sabendo que a pessoa tem de fazer a sua própria caminhada).

    Muitas vezes me revi no pouco que foste partilhando.... e é tão bom saber que estás a sair do período negro. :)

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  2. Fico mais feliz do que ler estas palavras, ver esses sorrisos. E faz isto, isto é muito importante: escrever o quanto te sentes bem. Porque um dia poderás precisar de estas palavras que mostram que tudo o tempo cura. (Eu também sou das que escreve muito melhor quanto pior estou. São coisas.)

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Obrigada!