-->

Páginas

06 novembro 2017

Into the woods...







Há muito tempo que me apetecia fazer uma coisa assim. Eu, sozinha, num momento meu. Sabia exactamente o que queria fotografar, sabia o que estaria por detrás das imagens. Tenho a sorte de ter a Lia na minha vida. E a Lia é só uma fotógrafa genial, que sabe puxar por mim, que sabe guiar e dirigir as sessões. Não me senti desamparada em momento nenhum. É óbvio que isto vem do facto de sermos amigas, mas já a vi fotografar pessoas com quem não tem a mesma confiança que tem comigo e o resultado foi o mesmo: empatia e à-vontade.

Fiz duas sessões - as primeiras duas fotos são da última sessão, as outras são da primeira. Porque é que há menos fotos da segunda do que da primeira? Porque a maioria das fotos da segunda sessão não são publicáveis... Mas vamos por partes.

Quis fazer isto porque achei que ia sentir-me bem comigo. Achei que ia gostar de me ver nas fotografias, no momento em que estou agora. Nunca me senti tão bem com o meu corpo e nunca estive tão triste com uma série de coisas que aconteceram na minha vida. Quis ver o que daria esta combinação de coisas, este yin-yang que poderia ser complicado.
A ideia foi irmos para o meio da serra de Sintra e ver o que acontecia. Queria ver-me sem artefactos, crua, como eu sou. Fizemos isso na quarta-feira passada, só as duas. Tinha tido uma manhã muito, muito difícil, tinha o coração amassado e a Lia teve medo de que eu não estivesse no mood certo. Achei exactamente o contrário. Achei que poderia usar essas emoções e ver no que dava. Fomos. Deixámo-nos levar: fomos para a ponta de uma escarpa onde, se nos calha a escorregar um pé... olha, íamos parar ao fundo da ravina e só conseguiam tirar-nos de lá de helicóptero (num saco preto, bem entendido...), andámos a evitar olhares alheios (com sucesso), andámos a fugir de carros no meio da estrada (também com sucesso - ninguém se magoou!) e conseguimos fazer o que queríamos. Podíamos ter feito isto em casa, num ambiente diferente, ainda mais intimista. E faremos isso em breve...

Quando vimos as fotografias percebemos que tínhamos de repetir. E que tínhamos de fazer mais coisas. E a Lia também quis ser fotografada. A Sofia, o outro elo da nossa ligação, também quis. Fomos no sábado. Novamente no meio da serra, com muito menos roupa do que na quarta-feira, mas agora juntas, a puxarmos umas pelas outras e a ajudarmo-nos.

Foi libertador. Sem vergonhas, sem medos, sem impedimentos. Só nós e a natureza. Só nós connosco. Não sei o que lhes passou pela cabeça enquanto eram fotografadas, mas sei o que me passou a mim. Eu estava ali. Eu. Inteira. O meu lado mais bonito estava ali exposto e ia ficar fotografado. Sensação de poder brutal. De amor próprio. Auto-estima nos píncaros. Se tiver de pensar numa outra vez em que me senti assim... a resposta é: no dia do meu casamento, porque estava exactamente como queria, sentia-me linda e estava no topo do mundo.

Nas fotografias, estão os meus pontos fracos todos. O nariz enorme e com um alto. A barriga inchada, pré-menstrual. A celulite no rabo. Tudo visível. Nada foi retocado. Porquê? Porque não é preciso. Porque não quero. Gosto de mim assim. Esta sou eu, com todas as minhas falhas, com tudo o que me faz única e diferente. Este é o meu corpo, que conta a minha história e é reflexo do caminho que fiz até aqui. Bem sei que estou num momento bom - treino muito, como relativamente bem e isso nota-se. Mas não sou modelo, nem seria nunca considerada como tal. Sou imperfeita. Mas aceito isso. Sou eu e eu gosto de mim. E fiquei a gostar ainda mais depois de ver as fotografias.

Temos corpos completamente diferentes. Nenhuma de nós é ou foi modelo. Nenhuma de nós ganharia umas asas de angel da Victoria Secrets. Todas temos fotografias brutais. Todas temos fotografias que adoramos e em que adoramos ver-nos. Todas aceitamos as nossas imperfeições: a barriga mais saliente de uma, o rabo menos trabalhado de outra, a celulite de outra. Não importa. Nada disso importa.

Se me perguntarem, direi que todas as mulheres deviam fazer isto uma vez na vida. Por si. Para si (e, eventualmente, para namorados ou maridos, para que vejam as suas mulheres de outra forma e percebam o quanto elas gostam de si mesmas). Não há mal nenhum nestas fotografias. Há só muito amor.

Estas fotografias não são sobre vaidade. São sobre amor próprio. São sobre aceitar o que sou e amar-me tal como sou. São sobre perceber que tudo o que tenho, bom e mau, faz a pessoa única e inesquecível que sou. São sobre o caminho que foi feito, o que me magoou, o que me fortaleceu, o que me ensinou e me fez ser o que sou hoje. Acima de tudo, estas fotografias são sobre aceitação. E, no fim do dia, é só isso que importa. Que gostemos de nós como somos. Que saibamos aceitar as imperfeições e perceber o quanto elas nos tornam únicas. Que saibamos valorizar as coisas boas que temos, mas que não estejamos em guerra constante com as coisas de que gostamos menos.

Não percamos mais tempo a apontar o que nos falta ou o que não gostamos em nós. Aproveitemos esse tempo para nos valorizarmos, para nos vermos com olhos de quem ama, de quem aceita, de quem conhece. Aceitemos que somos bonitas, seja lá como for. Somos nós, não há ninguém igual e, caramba, isso é imbatível...

4 comentários:

  1. É bom ver uma mulher nesse ponto da vida. Parabéns por isso.

    ResponderEliminar
  2. Parabéns!!está fantástica!! fiz uma sessão do género em estúdio.. mas aproxima será mm assim...

    Pb

    ResponderEliminar
  3. Gosto de todas as fotos! Está fantástica.

    ResponderEliminar
  4. Que ideia fantástica. Adorei. Estás linda. Parabéns.

    ResponderEliminar

Obrigada!