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16 novembro 2017

Moving on...



Então, um dia percebes: já saíste dali, já consegues andar. Percebes que guardaste o passado numa caixinha bonita, colocaste uma fita a fechar a caixa, deste um laço e arrumaste a caixa no armário mais bonito que tens: o das boas recordações. Se fechares os olhos, ainda consegues sentir o amargo do que te trouxe aqui, mas o sabor que prevalece é o das coisas boas que viveste ali. Foi bom. Tiveste de viver tudo para aprender qualquer coisa. Sabes que hoje és uma pessoa diferente. Perdeste coisas, ganhaste coisas. Vês o mundo de outra perspectiva. Acreditas menos, queres mais. Procuras o equilíbrio entre estas coisas e aprendeste finalmente que se não te serve, não é para ti. Não forças nada. Vives tudo.

E quando dás conta, andaste em frente. Já consegues abrir os olhos e ver que o mundo é afinal uma Primavera que vem devagarinho, apenas saibas esperar que o que semeaste floresça. Podias ter sido tão feliz ali. E foste. Como em mais lugar nenhum. Mas aquele sítio é agora uma memória guardada numa caixa e tu estás pronta para construir memórias novas, que hás-de pôr em caixas quando chegar o tempo.

E quando dás conta, sorris novamente perante coisas novas, perante ti, que és a mesma, mesmo não sendo. Sorris porque cresceste. Porque renasceste depois da destruição. Porque consegues ver para além do nevoeiro que entretanto começou a dissipar-se. Sorris porque és tu e ninguém te ama tanto como tu própria. E aprendeste que o amor não dói e que se dói, não é amor. Aprendeste que a tua destruição nunca te fará feliz. Que precisas de quem te acrescente e não de quem te esgote. Que não precisas de quem te complete, porque és completa sozinha, mas sim de quem te transborde e te faça querer ser cada vez maior. Aprendeste que consegues amar desmesuradamente, mas sabes agora que o amor só faz sentido se for uma estrada de duas vias e não um caminho de sentido único.

Um dia, abres os olhos e sentes. Estás pronta. E vais.

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