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10 novembro 2017

Planos

Há coisa de um mês e pouco achei que precisava de um boost na minha dieta/treino e que o ideal seria contratar um serviço de acompanhamento online. Sigo uns quantos no Instagram e o que não falta é oferta. Uma das "marcas" em particular fazia parte do meu dia-a-dia. Não pensei muito quando os escolhi. Fiz o que tinha a fazer, dei as informações todas, paguei e aguardei pelo plano novo. A coisa funcionou de 9 de Outubro a 9 de Novembro. E como correu? Ora bem...

1. O plano de treino não era muito diferente do meu plano anterior. Ora o plano que eu estava a fazer antes foi desenhado por mim, com um objectivo claro: foco nos glúteos, sem esquecer que há vida para além do rabo (salvo seja!).

2. O plano alimentar era uma coisa, vá, surreal. Três ou quatro doses de proteína em pó por dia e 100gr de frango ou atum ao almoço. Todos os dias. Durante 30 dias. Não é frango ou peru ou carnes vermelhas sem gordura ou um peixe qualquer. É frango OU atum todos os dias durante um mês. Ao jantar, 130gr de um peixe à escolha. E três ou quatro scoops de whey por dia. É que é já a seguir...

2a. Dois pequenos-almoços por dia, um deles antes do treino. Ora eu treino em jejum e isso não vai mudar enquanto eu não sentir que preciso de mudar isso. Ceia. Ora eu janto e deito-me uma hora depois... e obviamente nunca faço ceia. Só acontece se ficar a ver um filme ou assim e acabar por me deitar mais tarde, mas por norma não sinto essa necessidade. Expliquei isto: aquele pequeno-almoço pré-treino não encaixava com o meu estilo de vida, a ceia também não. A minha ideia foi que seria relativamente simples pegar nesses macros e nessas calorias e distribuir pelo resto das refeições. Mas não. A resposta que me deram foi... adapta-te, é uma questão de hábito, insiste que consegues. É que é já a seguir...

2b. Tentei fazer os almoços e jantares como eles mandavam durante uns dias. O que acontecia era simples: fome a seguir às refeições. Óbvio... quer dizer, 100gr de frango pesado em cru dá tipo duas colheres de sopa de frango. Uma fartura. Quando me queixei disto a resposta foi: se não comes aqueles pequenos-almoços e se não fazes a ceia é natural que tenhas fome no dia seguinte. Pois. Mas eu não vou mesmo tomar o pequeno-almoço antes do treino porque isso implica acordar meia hora mais cedo (e eu acordo às 6h45), porque não gosto de comer de manhã, assim que acordo (nunca gostei, passei dois terços da minha vida a beber um copo de leite antes de sair de casa e só ter isso no estômago até ao meio da manhã) e porque quero continuar a treinar em jejum porque me sinto muito bem assim.

3. Pedi para me indicarem os macros e calorias que me tinham atribuído, para que eu pudesse fazer trocas de alimentos sem sair dessas quantidades. Resposta: não trabalhamos com macros. Ah... tá... Mas... então trabalham como? "A quantidade de hidratos que consomes é que vai fazer a diferença e controlamos por aí..."

Portanto, resumindo, o que aconteceu foi que mantive a coisa mais ou menos a acontecer durante 10 dias. Depois mandei o primeiro feedback, obtive estas respostas e lixei-me para aquilo tudo. Pelo meio tive uma lesão na mão, andei uns dias com uma tala no dedo e não pude treinar. E andei a comer as frustrações, portanto ganhei três quilos num instante...

Conselho de amiga: se vão meter-se nisto de contratar um acompanhamento online, não façam o que eu fiz, que achei que o facto de os seguir no Instagram e de ver como era a vida deles era suficiente para saber o que me esperava. Façam perguntas. Vejam se as teorias de quem faz o acompanhamento batem com as vossas. Vejam se as teorias deles se adequam à vossa vida. Eu acho mesmo que os planos de treino e alimentares têm de ser adaptados à nossa rotina e não o contrário. Não sou eu que tenho de começar a tomar dois pequenos-almoços só porque eles acham que sim. Eles é que têm de fazer a coisa de maneira a eu sentir o menor impacto possível no meu dia-a-dia, caso contrário a probabilidade de não cumprir o plano é, vá, elevada.

A minha maneira de resolver isto tudo foi simplesmente parar. Parei de seguir o plano, não dei mais feedbacks (e eles não se preocuparam minimamente com isso... não me perguntaram NADA desde que me responderam acerca dos macros), e voltei ao meu plano de treino e à minha alimentação, que já era cuidada. Os três quilos foram embora em quatro ou cinco dias e eu voltei a sentir-me bem comigo. Sei que hei-de voltar a procurar um acompanhamento online daqui a algum tempo, e sei que vou querer ser acompanhada por alguém que trabalhe com dieta flexível, que é aquilo em que eu acredito: equilíbrio. Também sei que vou ser muito mais criteriosa nas minhas escolhas e que só vou fechar negócio quando sentir que eu e o "acompanhador" estamos na mesma página. Até lá... é manter o que tenho feito que, por acaso, até funciona...

3 comentários:

  1. Pesquisa pelo Body by Mimo, têm um bom acompanhamento, dão-te as calorias e macros por dia e a partir daí és tu a construir a tua alimentação. Não importa se comes tudo de manhã, ou à tarde, ou à noite, desde que tudo encaixe nas tuas macros podes comer de tudo.
    Fiz acompanhamento com eles durante algum tempo e nunca tive fome. Acabei por desistir por questões financeiras, não dava para manter, mas deu para aprender umas coisas.

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  2. Eu, como cientista (não sou da área da nutrição mas gosto de acompanhar os estudos que vão saindo), o que me choca mais em certos planos alimentares que se vêem por aí é a total ignorância em relação à investigação que se faz na área. Muitos nutricionistas não atualizam os seus conhecimentos e continuam a recomendar coisas que estão simplesmente erradas. Por exemplo, a história dos ovos, que só se podia comer 1 ovo por dia por causa da gordura saturada da gema, é um mito que a ciência já desmistificou há muitos anos! A história de ser necessário quantidades brutais de proteína é outro mito que tem vindo a ser investigado e desmistificado também... Um dos autores/bloggers que eu mais gosto nesta área é o Mark Sisson, um senhor de 60 e tal anos com um corpo de 20, o homem por trás do conceito primal (uma versão menos fundamentalista do paleo), que baseia toda a sua obra na investigação científica. Se tiveres interesse, vê o blog dele, o Mark's Daily Apple. Mas tu tens razão - se o que fazias funcionava, para quê mudar?

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  3. Não consigo entender estes planos alimentares e de treinos que não se adaptam à realidade de cada um: todos temos estilos de vida diferentes e corpos diferentes com necessidades diferentes. Para mim isso é fundamentalismo. E nisso não alinho

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Obrigada!