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13 dezembro 2017

Armada em forte



Estou aqui armada em forte, mas começa a doer... devagarinho. Isto: este ano, o Natal é sem eles. Consoada com o pai e, para evitar corridas desnecessárias, e porque vão continuar de férias com o pai na semana entre o Natal e o Ano Novo, sugeri que passassem o Natal inteiro com o pai. No ano passado, tive-os na Consoada e depois foram no dia de Natal para o pai, e por lá ficaram. Este ano essa logística implicava mais voltas e... acho que é melhor assim. Menos stress para toda a gente. E o Natal é só um dia. (Inserir processo de mentalização aqui). A minha maneira de contornar isto é simples: fazer uma segunda Consoada na noite da passagem de ano. Vai ser nessa noite que eles abrem os presentes do lado da mãe e vai ser nessa noite que é Natal para mim e para os avós.

Tenho tentado não dar demasiada importância a isto. É só mais um dia no calendário, tem o peso que lhe quisermos dar. Já sei que quando estiver lá, com o resto da família mas sem eles, me vai custar demasiado. Mas também sei que eles vão estar bem e é isso que me interessa.

No fundo, acho que estas coisas são somente um processo de maturidade. Quando conseguimos pensar neles primeiro, quando conseguimos não entrar em guerras imbecis (e eu fujo de guerras destas como o diabo foge da cruz), tudo corre melhor. Nem sempre sou a pessoa mais paciente do mundo. Há coisas que não consigo encaixar, que não me fazem sentido. Mas escolho deixá-las passar e não perder demasiado tempo com elas, a bem da minha sanidade mental e da minha paz de espírito.

Guardo o meu síndrome de Peter Pan para outras coisas. Para continuar a gostar de ser palhaça quando me apetece. Para continuar a gostar de dançar à chuva. Para continuar a ser capaz de guerras de almofadas ou de chantilly, malgrado os efeitos colaterais que daí possam advir. Nisto, com eles, tento ser o mais adulta possível, para que eles sofram o mesmo possível. E desengane-se quem acha que as crianças podem passar por processos de divórcio sem sofrer. Não podem. Porque a realidade delas muda e é preciso adaptação. Por muito bem que os pais se dêem, por muito pacífica que seja a separação, é sempre uma mudança. E, principalmente quando eles são pequenos mas já percebem as coisas, aquilo acaba por deitar um bocado por terra as fantasias de "e viveram felizes para sempre" que eles pudessem ter. É por isso que um dos meus grandes objectivos é que eles não se tornem cínicos, cépticos e desconfiados. Quero que acreditem no amor. Quero que saibam que talvez não dure para sempre, mas existe e é maravilhoso enquanto dura. Quando deixa de ser amor e se transforma noutra coisa qualquer, é preciso arrumar a casa e reaprender a viver. Mas é possível ser feliz depois da perda, depois do luto. É possível acreditar novamente. E, mais importante do que tudo isto, é possível voltar a amar.

[E isto, que era só um post sobre o Natal, acabou por se tornar numa coisa um bocadinho mais profunda do que isso...]

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