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21 fevereiro 2018

11 coisas que aprendi com o casamento

A Catarina tem um vídeo prestes a sair no Youtube sobre algumas coisas que aprendeu desde que se casou. Não vi o vídeo ainda mas fiquei a pensar nisto e resolvi partilhar as minhas aprendizagens...

1. Casamento não rima com comodismo
Se vais casar com aquela pessoa porque aquilo é uma espécie de sofá que já tem a forma do teu rabo... não cases. Não cases a não ser que estejas apaixonada, certa de que estás disposta a dar tudo, certa de que estás disposta a ter dias maus ao lado daquela pessoa que escolheste e que te escolheu. Casar porque é seguro, confortável e porque vai estar sempre ali é um péssimo princípio.

2. Um casamento é um barco com duas pessoas a remar
Se for apenas uma, e a outra for só um peso morto... a dada altura, o remador vai fartar-se daquilo e vai ser vencido pelo cansaço. E nestas coisas o mais normal é desistir em vez de descansar. O que é que eu quero dizer com isto de serem dois a remar? Um exemplo prático do meu casamento: era sempre eu a tratar de marcar saídas a dois. Era eu que tinha de organizar sempre tudo. Do lado de lá, estava sempre tudo bem e não era preciso fazer nada, estava bom assim. Eu é que tratava de jantares fora, cinemas, fins-de-semana e o diabo a sete. Fartei-me, claro.

3. És mulher dele, não és mãe dele
Self explanatory, na verdade. Mas tendemos (e sim, estou a generalizar) a adoptá-los como filhos, além de maridos. Tratamos deles e, às tantas, eles são a criança extra naquele casamento. Não dá. Para já, porque eles têm mãe (ou terão tido). Depois, porque não nos cabe o papel de cuidar deles como cuidamos dos filhos. Eles serão, à partida, pessoas autónomas e capazes e não precisam que lhes preparemos a roupa para vestir no dia a seguir.

4. Os filhos não são o casamento
Eventualmente haverá filhos e eles farão parte da família. Mas não são - nem podem ser - o casamento. Não podem ser a razão por que continuas casada e não podem ser a razão por que te separas. São um projecto a dois, no qual os dois devem interferir, mas não podem ser a medula óssea daquela união. Antes dos filhos, em princípio, vocês já eram um casal. Continuarão a ser, se tudo correr bem, quando eles forem à vida deles e vocês ficarem, enrugados e de cabelos brancos, de novo sozinhos um com o outro. Não percam aquilo que vos uniu ou darão por vocês a ter nada em comum quando os filhos se forem embora.

5. O sexo é (muito) importante
Não dá para estar meses a seco, tenham lá paciência. Perde-se a química, perde-se a vontade, perde-se aquela ligação que é suposto ser uma coisa boa e explosiva. Não dá. Portanto... inventem, reinventem, deixem-se de merdas e tratem do assunto com a seriedade que ele merece.

6. Um casal continuam a ser duas pessoas individuais
Lá porque casaste não quer dizer que te anules. Nunca vou entender aquela coisa dos casais no Facebook, por exemplo: conta conjunta tipo "Miguel e Sónia Santos". Deixem-se de parvoíces. Percebam que aquela pessoa se apaixonou por vocês enquanto ser individual e único. Claro que é óptimo construir terreno comum, mas há que manter a nossa essência e continuar a ser quem somos. Eu consegui isto com os livros, os lanches com as minhas amigas e com o desporto, mas não consegui isto com as minhas saídas, por exemplo. Deixei de sair com os meus amigos e às tantas comecei a sentir falta disto.

7. Um casamento é uma empresa que é preciso gerir
Não me faz sentido nenhum estar casada com uma pessoa e não ter as contas bancárias juntas, por exemplo. Um casamento é uma união que deve envolver todas as áreas da vida e não apenas algumas. O que há é de ambos, gastam ambos, ganham ambos. Vai sempre haver discussões por causa de dinheiro. Evitar o "meu dinheiro" e o "teu dinheiro" parece-me um bom princípio.

8. A paciência é uma virtude
Às vezes apetece mandar tudo à merda. Respirar fundo, contar até 10 (ou 20... ou 700), sair para apanhar ar são tudo coisas válidas e muito úteis. Convém saber que aquela pessoa não tem de ser tudo o que nós achamos que ela deve ser. Nem tem de fazer tudo à nossa maneira. Vai haver alturas em que apetece mandar dois berros, bater com a porta e seguir viagem. Ser paciente ajuda a pôr em perspectiva e a valorizar apenas o que é realmente importante.

9. Porta de saída
Um casamento não é uma prisão. Se não funciona, é seguir caminho. Só vivemos uma vez e nada vale a nossa infelicidade. Merecemos ser felizes, sentirmo-nos amados, amar como se o mundo fosse acabar no minuto a seguir. Se não temos isto, se não conseguimos ultrapassar as diferenças, se o que nos separa é maior do que o que nos une... há uma porta de saída. Não é fácil, mas pode ser libertador.

10. O preço da liberdade
Custa menos casar do que divorciares-te. Mas 300 euros resolvem.

11. Depois do fim... o recomeço 
A parte boa dos finais é que permitem novos recomeços. Não é fácil reorganizar a vida, não é fácil mudar hábitos, não é fácil deixar de ter aquela pessoa que, de alguma forma, terá sido um apoio. Mas abre espaço para nos reencontrarmos, para nos conhecermos novamente (quantas de nós não se encontraram perante uma pessoa diferente, quando se olharam ao espelho depois do fim de uma relação? A mim aconteceu exactamente isto...), para percebermos o que queremos e o que não queremos, para investirmos em nós e no que nos faz feliz.
Vai haver dias maus. Vão aparecer pessoas que não nos acrescentam nada (mas, olha, é o que é e não há mal nenhum em passar por isso), vão aparecer pessoas que nos fazem acreditar de novo para, logo a seguir, nos tirarem o tapete de baixo dos pés. Faz parte. Mas um dia encontramos a tal pessoa. Ou não. Mais importante do que encontrar pessoas que nos façam felizes, é percebermos que somos suficientes para sermos felizes sozinhas. É por isto que eu digo que não quero uma pessoa que me complete - completa já eu sou! -, quero uma pessoa que me transborde, que me faça verter por fora, que acrescente ainda mais a tudo o que sou hoje, a tudo o que tenho hoje, à felicidade que já tenho. E sim, é possível ser (muito) feliz depois de um (ou de mais do que um) casamento que não correu bem. Basta querer e estar disponível para. Basta acreditar. 

4 comentários:

  1. Não posso falar sobre os filhos, mas concordo com tudo o resto. E sim, é mesmo possível ser feliz outra vez.

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  2. as mais absolutas verdades... estava a remar sozinha, mandei pastar!

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Obrigada!