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26 fevereiro 2018

Never say never

(Mãe, calma. Isto é só uma reflexão e não atesta coisa nenhuma... Respira, vá.)

Quando tive o meu segundo filho, senti que a família estava completa. Loja fechada, como se diz. Não pensei muito no assunto, mas aquele gut feeling ali presente dizia-me isso: era o eu último filho (como se tivesse imensos...) e estava tudo bem. Nem chegou a ser uma decisão. Foi mais uma espécie de constatação de uma realidade, que aceitei sem grandes pensamentos sobre isto.

Dois anos depois, grávida novamente, aquele terceiro bebé era uma coisa muito querida para nós. Não foi propriamente planeado (quando falámos nisso já eu estava grávida e não fazia sequer ideia... Portanto, era Abril, eu a dizer que sim senhor, então tentávamos entre Junho e Agosto e, se não desse, voltávamos a tentar no ano seguinte, que eu não queria cá mais filhos no Natal - e mal sabia eu que não mando porra nenhuma e aquele bebé tinha data prevista para nascer a... 24 de Dezembro. Boa, Lénia...). Mas, apesar de não ter sido planeado, foi querido e infelizmente a coisa correu pessimamente e acabou comigo internada no S. Francisco Xavier, durante sete dias, cortesia de uma perda de sangue insana, no seguimento de uma interrupção médica da gravidez (para quem só chegou aqui agora, o que eu tive foi uma gravidez molar parcial, coisa que acontece quando um óvulo é fecundado por dois espermatozóides. Ora isto faz um bebé com 69 cromossomas... que não vai dar. Não há hipótese, era abortar ou esperar que a natureza tratasse disso por mim. Escolhi ser racional e interrompi imediatamente mas, durante o parto - sim, parto normal, com tudo a que tive direito, incluindo a primeira epidural que me fez efeito na vida - perdi imenso sangue, fiquei com uma anemia grave, acabei a levar transfusões de sangue e ferro directamente na veia e vi a minha vidinha a andar para trás. Se quiserem saber mais sobre isto, na altura escrevi uns posts a explicar tudo - é pesquisar, please).

Portanto, eu achava que ia ficar com dois filhos, a natureza achou o mesmo e aqui estamos. Entretanto, um divórcio. E a vida segue. E as minhas certezas de que não teria mais filhos deram lugar a uns quantos "ses". Estou bem assim, mas não digo taxativamente que não volto a ser mãe. A pessoa nunca sabe, não é? Porque posso refazer a minha vida com alguém que não tem filhos e quer mesmo, mesmo ser pai. E se calhar vai acontecer. Não sei. Sei que não fechei completamente o assunto. Também não ando a pensar nisso de forma recorrente. Mas as minhas amigas que desataram a ter filhos perto dos 40 anos, fruto de relações pós-divórcio, não ajudam nada...  

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