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22 fevereiro 2018

O pior de mim

Há bocado, assim do nada, dei por mim a pensar nisto: o que é o pior de mim?

Obviamente, haverá várias respostas a isto, dadas por várias pessoas que convivem mais ou menos comigo. Mas há a minha perspectiva também.

Tenho imensos defeitos. Não os escondo. É o que é, eu sou assim, há imensa gente que não gosta de mim e há com certeza algumas pessoas que gostam. Tudo normal, portanto.

O pior de mim? Aquilo de que menos gosto em mim é isto de viver com medo de falhar. O meu perfeccionismo torna-me demasiado exigente comigo e com os outros. Faz com que eu seja muito pouco tolerante com as falhas, principalmente com as minhas. Faz com que, quando sei que não vou fazer a coisa de maneira excelente, nem sequer tente. E isto é péssimo porque me bloqueia. Olho para trás e vejo o tanto que poderia ter feito se não tivesse tido medo de tentar. Se tivesse aceitado que falhar faz parte do processo e que não é a morte de ninguém. Falhas, recomeças, tentas novamente. Simples. Odeio isto em mim.

Sou demasiado permissiva. Aconteceu várias (demasiadas!) vezes na minha vida: pessoas fazem-me mal propositadamente, eu ouço as razões, reviro os olhos, sacudo a poeira, palmadinha no ombro e vá, está tudo bem, vamos continuar. E as pessoas, em vez de verem isto como uma excepção, acham que podem tudo porque eu perdoo sempre e estou sempre lá. Até ao dia em que me farto de vez e só vêem o fumo que deixo para trás, quando acelero para me ir embora. O que acontece aqui é que prefiro, por norma, perdoar. Toda a gente erra. Eu já errei muito, errarei muito mais, certamente. Mas a coisa boa que os erros trazem é ensinarem-te a não repetir. E é isto que tenho de treinar: perdoar uma vez, à segunda já nem ouvir até ao fim e simplesmente desaparecer.

Havia uma coisa que odiava em mim e que, com o tempo e com umas quantas mudanças de comportamentos, alterei: a preguiça. Eu era a definição de preguiça, percebam. Se eu pudesse viver deitada num sofá, vivia. Na boa. Já não sou assim. Ainda abuso um bocado da procrastinação, mas já me mexo bem mais.

Isto para dizer que, apesar de as coisas nos serem intrínsecas, é possível ir mudando comportamentos, se estes não nos agradam. Claro que haverá coisas que nunca mudam. Eu sei que nunca vou perder o medo, sei que nunca vou deixar de achar que só vale a pena eu fazer alguma coisa se a fizer de maneira irrepreensível (e sei exactamente de onde isto vem... e nada a fazer). Mas tenho de perder um bocado o travão. Tenho de arriscar mais. Tenho de me expor mais. Tenho de aceitar que às vezes basta fazer, não é preciso fazer para ser o melhor do mundo. É um processo. E o primeiro passo é assumir que temos de fazer alguma coisa quanto a isso. Pois bem, o primeiro passo está dado. 

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