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19 março 2018

Dia do Pai

Apetecia-me escrever um longo texto acerca da visão de uma mãe divorciada sobre o pai dos seus filhos mas.

Adiante.

Tenho uma sorte do caraças. Com o meu pai. Olho para ele - ainda ontem à tarde, quando estava a chegar a casa dos meus pais e ele a sair do prédio para ir comprar tabaco - e vejo aquele braço que me acolhia na cama, todas as noites, enquanto a minha mãe estava no Liceu, a terminar o 12º ano, e eu e ele ali, os dois, pai e filha, cúmplices, os jantares que ele me fazia, o facto de me levar sempre ao café depois de jantar, para ir beber a bica dele (e eu brincar às empregadas de café e registar coisas numa caixa registadora enorme e velha, longe da era digital), voltarmos para casa e ficarmos a ver o Norte e Sul até ser demasiado tarde para uma criança de seis ou sete anos se deitar mas ainda assim, aquele braço onde eu me deitava e ele "rebola cabacinha, rebola cabacinha" e eu a adormecer leve, com a certeza de que o melhor pai do mundo era aquele e era meu.

Hoje, trinta e tal anos depois, é capaz de me contar a história, se eu lhe pedir. Hei-de pedir. Já a contou aos netos. E continua a ser a minha âncora, de maneira mais ou menos palpável - como na semana passada, em que lhe liguei, aflita, às nove e tal da noite, porque a minha torneira da banheira resolveu morrer e eu precisava de tomar banho e lá veio ele, sem jantar, salvar-me de um problema de primeiro mundo, nem hesitou, agarrou no que tinha de levar e foi.

Depois, os netos. A minha tábua de salvação com os filhos que não me pediu para ter, mas que são os netos que sei que havia de querer. Vai buscá-los à escola, ajuda com os trabalhos de casa, leva-os à natação, dá banhos e lanches e ralha - ele e a minha mãe, equipa perfeita na minha salvação com aqueles dois - e eu não sei, mas não sei mesmo, o que faria se não tivesse este pai. Por isto tudo, devo-lhe um obrigada gigante que nunca vou conseguir concretizar na medida em que ele merece.

Que é o melhor do mundo. E é meu.

Feliz Dia do Pai, pai. Amo-te!!

1 comentário:

Obrigada!