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16 abril 2018

Fátima - dicas úteis

Há quase quatro anos, quando a minha mãe esteve entre a vida e a morte, com o rebentamento de um aneurisma cerebral, dei por mim a rezar. Na manhã em que ela foi operada, passei quatro horas deitada na cama, a chorar e a rezar. Eu não sou mega católica. Aliás, numa escala de 0 a beata, eu fico ali por um 2: entro numa igreja quando me apetece, assisto a missas de casamentos e baptizados e pouco mais. Nem sinto nenhum chamamento diferente. Aliás, acontece estar numa missa e o meu cérebro científico questionar aquela alegoria toda. A parte má é que acredito que seria muito mais feliz se acreditasse naquilo como a minha mãe acredita, por exemplo. Acho que a fé é um placebo poderoso... e tenho pena de não ter quase nenhuma. Bom, promessa feita durante a operação: se a minha mãe sobrevivesse, eu iria a Fátima a pé, agradecer. Fui este ano.

Nota prévia: não me preparei para aquilo. Caminhadas? Nah. Não preciso, eu aguento na boa. Estúpida.

Bom, antes de avançar, dicas práticas: eu fui com um grupo altamente organizado. Levámos cozinheiros, massagistas, enfermeiros. Tínhamos de levar duas malas, uma para termos sempre connosco (seguia num dos carros de apoio, mas tínhamos acesso a ela em todas as paragens) e uma grande à qual só tínhamos acesso à noite, no sítio onde íamos dormir. Levei umas oito ou nove mudas de roupa (o percurso era de cinco dias, mas a previsão de chuva constante fez-me querer ter alternativas), levei três pares de ténis (uns calçados - que usei sempre -, uns extra para o caso dos primeiros se ensoparem ou assim, e uns normais, do dia-a-dia, para as noites e para o último dia, já em Fátima). Na tal mochila a que tinha sempre acesso estava uma muda de roupa extra (não cheguei a precisar, mas andei perto de salvar outra caminheira), protector solar (que não usei porque... basicamente apanhei um temporal pegado), creme gordo e pó de talco, um boné, um impermeável e barras energéticas.

Não é que eu tenha andado muito (andei cerca de 70km, dos 150km disponíveis - já conto), mas o truque anti-bolha é MUITO creme gordo nos pés, antes de começar a caminhar, meias de algodão viradas do avesso (para as costuras não magoarem) e pó de talco nos ténis (para absorver a humidade e manter tudo operacional). Caso sintam que vão fazer bolha - e só ANTES de isso acontecer - ponham uns pensos de "pele artificial" (há da Compeed e da Well's, tanto quanto sei). Se já têm uma bolha, mesmo que pequenina, NÃO ponham isto porque vai dar asneira.

Outra coisa importante: na Decathlon, secção de equitação, há uns boiões de um gel azul, chamado Cool Gel. Aquilo é para cavalos, sim, mas guess what? É o melhor relaxante muscular de sempre! Comprem. Sem medos.

Outro extra: levei um cajado, que já tinha ido com a minha mãe a Fátima quatro vezes. Enorme apoio! O meu era mesmo uma cana, básica, sem nada. Mas na Decathlon há uns bastões próprios para caminhada. Apostem nisto. Ajuda muito nas subidas, mais ainda se o vosso percurso envolver mato (o meu envolveu... demasiado, até!).

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