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29 maio 2018

Sobre a eutanásia

Há coisas que eu não consigo entender - deve ser limitação minha, com certeza. Uma das coisas que ainda não consegui atingir é a questão da eutanásia: como é que é possível não defender aquilo? O que é que há para rebater?

Portanto, eu chego a um ponto em que estou em tamanho sofrimento, sem esperança nenhuma de vida, sem qualidade de vida, sem nada a não ser dias e dias a fio a sofrer para nada... mas estou de tal maneira incapacitada que não consigo acabar com a minha vida pela minha própria mão (se conseguisse fazê-lo, fazia - chama-se suicídio e não é crime). Quero que o façam por mim. Preciso que o façam por mim. Estou na posse de todas as minhas faculdades, sei que vou morrer (já sabia, era só uma questão de tempo), sei o que acontece no fim do processo. E continuo a querer e a precisar que o façam por mim, apenas e só porque, sozinha, não sou capaz.

Qual é a dúvida?

O que é que há para contestar aqui?

Não é homicídio. Um homicídio pressupõe que a pessoa que morre não tinha particular vontade de morrer. E pressupõe que essa decisão partiu de outra pessoa que não ela mesma.

Um suicídio pressupõe capacidade física para o cometer (coisa que, vamos assumir, quem quer ser eutanasiado não tem, ou trataria disso pelos próprios meios).

A eutanásia é só a forma digna de acabar com um sofrimento desmesurado, que acabaria da mesma maneira que acaba a eutanásia: com uma morte.

Do lado de lá: se alguém que eu amasse muito me pedisse ajuda para morrer, para terminar com o tal sofrimento, eu estaria lá. Por amor. No fim fica sempre a saudade. De uma maneira ou de outra, antes ou depois. Mas para quê prolongar indefinidamente um sofrimento atroz? Com que propósito? Isto é bom para quem? A questão da culpa: estaria a matar uma pessoa. Não, não estaria. Estaria a ajudar alguém que decidiu morrer a fazê-lo condignamente. Isto muda toda a perspectiva, no meu ponto de vista.

Não consigo entender, não chego lá, lamento. E sim, defendo muito o meu direito a escolher morrer, evitando um sofrimento que não faria ninguém feliz. Porque, por muito que eu ame alguém, não quero ver essa pessoa sofrer - isto é só cruel, sabem?

2 comentários:

  1. Estou de acordo contigo. Se já não há esperança nem qualidade de vida , é uma tristeza ficar á espera do dia D.

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