-->

Páginas

14 junho 2018

O meu segredo

Ouço recorrentemente a pergunta: como é que consegues treinar tantas vezes, com a vida que tu tens?

A isto respondo com duas coisas: a vontade que eu tenho e a ajuda que recebo.

Custa-me um bocadinho admitir (por todo o estigma que vem com isto), mas sim, sou uma maluquinha do ginásio, no sentido em que vou lá todos os dias, mudo o que for preciso na minha vida para conseguir ir e aquilo é sempre prioritário em relação a outras coisas (excepto, obviamente, o bem estar dos meus filhos). Eu levo o meu desporto com uma seriedade que pouca gente que vive o mesmo tipo de vida que eu entende. Eu não quero ir ao ginásio para me mexer um bocadinho, só para manutenção, porque me faz bem desanuviar. Eu quero ir ao ginásio rasgar pano, dar tudo, levar-me ao limite. Percebo que isto não faça sentido para muita gente, mas se calhar é por ter este nível de compromisso que não me baldo só porque sim. Acontece não ir porque combinei qualquer coisa que me impede de ir, ou porque me atraso no trabalho ou porque estou doente. De resto, não é opção. O ginásio, para mim, não é aquela coisa que só faço se não tiver mais nada que fazer. É prioridade.

A minha motivação sou eu. Porque olho para mim e vejo o que já consegui fazer. E quero ainda mais. Depois, estou ali e é todo um descanso. Não há trabalho, não há chatices, não há dramas. Há máquinas e pesos meio brutos e uns PTs que me dão nas orelhas (e quem me dera que dessem ainda mais...!). Saio dali a pingar, mas tão feliz...

Isto só é possível porque os meus pais me ajudam e porque me organizo. Ao fim-de-semana cozinho para a semana toda. Isto faz com que os jantares sejam basicamente aquecer e, eventualmente, cozer uma massa. São os meus pais que vão buscar os miúdos à escola e ficam com eles até eu os ir buscar (o que acontece sempre em cima das 21h - tento mesmo não passar disto, para que eles não se deitem tarde, mas a verdade é que, mesmo que eu não vá treinar, é raro eles deitarem-se antes das 22h30). À quarta-feira jantam com o pai e eu estou mais à vontade: treino, tomo banho e vou à aula de kizomba. O professor tem dificuldade em cumprir horários e uma coisa que era suposto ser 21h-22h acaba a ser 21h20-22h20... e lá vou eu a voar para os ir buscar, mas depois é lavar dentes, vestir pijamas e estão na cama. Nos fins-de-semana em que os tenho, por norma peço para os meus pais ficarem uma hora e meia com eles, num dos dias, para eu conseguir ir. Mas se não der, treino em casa ou não treino de todo e também ninguém morre por isso. Quando não os tenho, é certinho que vou nos dias todos.

Por isso, quando me perguntam como é que consigo fazer isto, sendo eu mãe solteira, tendo um trabalho e uma casa para tomar conta, a resposta é: consigo porque quero. E quero tanto que faço por isso. Eu entendo que nem toda a gente tenha esta motivação. Mas gostava que as pessoas que dizem que não conseguem (na maior parte das vezes sem sequer tentarem) olhassem para isto e, caso seja uma coisa de que precisam, dessem uma oportunidade e fizessem os ajustes necessários para isto acontecer. No meu caso, a decisão fundamental foi investir duas ou três horas do meu domingo na cozinha e no supermercado. Acabaram-se as compras diárias para desenrascar um jantar, acabou andar à nora sem saber o que fazer. Planeio com antecedência, faço as compras necessárias, preparo tudo e depois... é só comer. O descanso mental é brutal, acreditem. E este processo facilita a vida de toda a gente, não apenas de quem quer ir-se enfiar num ginásio.

[Este post aparece no seguimento deste post da Rita, que tocou ali no ponto da inspiração... e não é que eu me ache grande inspiração para o que quer que seja, mas se houver uma pessoa a achar que alguma destas dicas faz sentido, então já está ganho.]

1 comentário:

  1. Acredita que agora n ando pr lá virada...a ver se pr a semana mudo toda esta minha preguiça e se me meto a fundo...a cena das refeições ao fim de semana é algo que vou "copiar" :)

    ResponderEliminar

Obrigada!