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11 julho 2018

O que é que a Kizomba tem?

Pergunta recorrente nos últimos tempos: por que é que gostas tanto disso?

Por mil razões. Voltemos atrás. 2006. Entre o pessoal com quem eu saía na altura, havia dois ou três que sabiam dançar. Falhei redondamente. Não atinava com aquilo. Não que tenha tentado muito, na verdade, mas na altura o bichinho não me apanhou.

Uns tempos depois, comecei a sair de vez em quando com a Samanta, amiga que se tornou pro de kizomba enquanto viveu pelos Algarves. Saíamos juntas, ela para dançar, eu para lhe segurar no casaco. Lá havia um ou outro maluco que me arrastava para dançar, mas a coisa não durava muito porque, lá está, eu não fazia ideia do que andava ali a fazer. Aprendia o básico dos básicos nas aulas abertas, antes das aberturas de pista e mais nada. Até que um dia, numa dessas saídas, fui puxada por um senhor angolano, mais velho - avisei que percebia zero daquilo mas ele pediu que confiasse nele e me deixasse ir. Não me largou durante o resto da noite e eu aprendi um bocadinho. E o bichinho entranhou.

Novo salto temporal. Quando comecei a trabalhar na actual empresa, houve um jantar. Descobri que um dos meus colegas era... pro naquilo. Pedi-lhe para me ensinar, foi o que ele fez e sempre que há saídas acabamos a kizombar um bocadinho. Foi com ele que aprendi a maior parte das coisas, com ele a explicar o que estávamos a fazer.

No meio disto tudo, sempre quis fazer aulas. Porque sei que se aprende a sério. Porque acaba por ser um sítio onde socializamos um bocadinho e, havendo uma paixão comum, é mais fácil estarmos todos alinhados.

Quando mudei para o ginásio novo, descobri que havia aulas de kizomba. Quarta à noite, que é quando não tenho os miúdos porque vão jantar ao pai. Perfeito. Ainda andámos ali umas semanas no hoje não dá, esta semana não consigo, mas eu e a Lia lá nos organizámos. E de repente a quarta à noite é sagrada. Entretanto, e porque estar ali já nos trouxe pessoas muito porreiras, já aconteceram saídas para dançar. E haverá muitas mais, seguramente. Este sábado, por exemplo, aterrámos no KETA, que é um festival anual de Kizomba e Bachata (e um dia conversamos sobre Bachata... e sobre aquela coisa de "nunca digas nunca", "não cuspas para o ar" e tal e tal...). Eu, a Lia e mais um colega nosso pegámos em nós e em toda a nossa coragem de principiantes e lá fomos. E foi tão, tão bom...!

Por que é que eu gosto tanto? Para já, porque adoro dançar. Tudo. Ou quase, vá. Depois, porque gosto de kizomba - da música, bem entendido. Depois porque aquilo é paixão, é entrega, é fogo, é alma. E eu, que sou um cubo de gelo / calhau com olhos / tractor na maioria das situações, ali transfiguro-me. Ali sou eu. Não preciso de me esconder, não preciso de disfarçar, não preciso de parecer uma coisa que não sou. Não encontrei, até hoje, um ritmo que seja tão eu como a kizomba. É fácil esquecer tudo enquanto estou a dançar. É fácil entregar-me ao que estou a fazer. É só deixar-me levar e apreciar a viagem... (Um dia destes mostro um bocadinho...)

2 comentários:

  1. É fogo é! Em todos os sentidos e é por isso que eu também adoro!

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  2. Olá Lénia, podes dizer-me onde posso encontrar um sitio, no Cacém ou perto, onde se possa aprender Kizomba?
    Eu gosto. 😁

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Obrigada!