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24 setembro 2018

Caramelo


Quinta-feira à noite. Saio do carro, nas traseiras do meu prédio, e ouço um miar meio aflito vindo de debaixo do carro da frente. Gato preso algures, pensei. Fui ver. Gato escondido atrás do pneu. A miar como se o estivessem a esfolar vivo. Chamei, fui-me aproximando e ele foi saindo dali. Vi que não estava magoado. Não deixou tocar-lhe, mas também não desatou a fugir. Missão cumprida. Ala para casa, eu e os miúdos. 

Subimos as escadas e quando olhamos... gato a miar ao nosso lado. A seguir-nos. Mau... Tu queres ver...

Chegamos ao prédio e gato estaciona com as patas da frente em cima da entrada e as patas traseiras no passeio. O tolo no meio da ponte. Até que a minha filha pega no gato ao colo. E eu fecho a porta do prédio atrás de nós. Ficámos ali uma boa meia hora a decidir o que fazer. 

Gato no elevador e toca de ir para casa. Detalhe: tenho um gato FELV+. Ora o FELV é uma coisa altamente contagiosa (e chata, a longo prazo) e, até saber se este gato tem isto ou não, tenho de os manter separados. Tratei de instalar o bicho na sala, que é aquela divisão onde não deixo o meu gato entrar, porque sempre que lá vai acabo com metade da terra dos vasos espalhada no chão. 

Chamei a Lia, que foi levar-me areia e uma transportadora. Gato na boa com ela também, cheio de ronrons. Deitado no tapete, instaladíssimo, e a ronronar. Parece que sempre esteve ali. 

Achei que era uma gata, não sei porquê. Os miúdos queriam chamar-lhe Sushi. Vetei essa ideia: Sushi é nome de gato. Sakura, flor de cerejeira. Mas aquilo não me soava bem. Filha linda atalha caminho e... Cereja. Seja. Cereja.

Às tantas começo a olhar melhor e... é gato. Sushi. Nop. Continuo a vetar essa ideia. Mel. Caramelo. É isso: Caramelo, que o gajo é docinho e pega-se a nós.

Gato esparramado no sofá, a ronronar. Gato a pedir mimo. Gato aninhado em nós o tempo todo. E eu a pensar: se ele tiver FELV fica, se não tiver vai para casa da Lia. Durou umas 12h, este pensamento. Não vai a lado nenhum. Se tiver, nada a fazer, se não tiver, vacina-se. E fica onde está.

Sexta à noite (acho) sentei-me no chão da sala e puxei-o para o meu colo. Ideia: cortar-lhe as unhas. Expectativa: ter de lidar com uma espécie de Poltergeist furioso. Realidade: Caramelo de patas estendidas, a ronronar.

Entretanto, e porque era um gato de rua (aliás, eu já o tinha visto ali há umas semanas, mas acho que ele já teve uma casa, de tão meigo e bem comportado que é), resolveu que era fixe usar os vasos como WC. Depois lá percebeu que tinha uma caixa cheia de areia destinada a isso e mudou de poiso. Ainda assim, hoje cheguei à sala, de manhã, e tinha um dos vasos tomados no chão. O que eu não admito ao outro gato, sabem? Pois... levantei o vaso e está tudo bem.

Portanto, é isto: overdose de açúcar em forma de Caramelo que mia. (A foto é da segunda noite dele lá em casa...)

5 comentários:

  1. :) tão bom...2 gatos de casa...2 gatos de rua que fizeram da minha casa...a deles...adivinha a quem eu corto melhor as unhas...pois!!!


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  2. Tão bom :) Um dia destes faço o mesmo, e levo mais um para casa... O meu também veio da rua, mas também sempre achei que já foi gato de casa... Não deita vasos aos chão, mas come as plantas todas :/

    Que sejam muito felizes!

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  3. Tão lindo! ♥ Já adoro o Caramelo.

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  4. Olá,
    Tão lindo o Caramelo :))
    Muito bonito o seu gesto.
    Também temos um gato que resgatámos ainda bébé (teve de ser alimentado a biberon. Agora é um gatarrão lindo e muito mimado.

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Obrigada!