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14 setembro 2018

(Des)hábitos


Eu já sabia que ia ser assim: as férias tiram-me o hábito de treinar. Relaxo de mais, desfoco-me, desleixo-me. (Sessenta e dois quilos agora vs cinquenta e nove antes.) E custa-me horrores regressar, encontrar o meu ritmo novamente, voltar a focar-me naquilo, voltar a fazer o que sei que me faz bem. (Fico sempre assoberbada e entro numa espiral de "não sei o que hei-de fazer, perdi tudo o que me custou tanto a conquistar, nunca mais vou ser capaz.) Prometo a mim mesma que amanhã recomeço, mas não recomeço coisa nenhuma. Afinal não foi hoje, é amanhã. E vai sendo amanhã durante demasiado tempo. Tanto tempo que deixo de fazer promessas porque já acho que não as vou cumprir. E porque não quero lidar com a frustração de sentir que não fui capaz. 

Há uns meses, decidi que queria competir em bikini fitness. Não porque achasse que fosse ganhar alguma coisa, mas porque quis desafiar-me e ver até onde ia o meu corpo. Fiz contas à vida e uma competição é caríssima. Entre preparação e competição propriamente dita, o prognóstico apontava para uma quantia que eu não tenho. E que, se tivesse, poderia usar noutras coisas. Arrumei a ideia da competição pacificamente. E sem a cenoura dos palcos as minhas ganas com os treinos abrandaram. Isto coincidiu com as férias, o que não ajudou. Coincidiu também com a dança.


Chega. Estes sessenta e dois quilos, sendo apenas um número, são um número que se converte em coisas de que não gosto. E que não quero para mim. Sei exactamente o que fazer para sair daqui. Sei como. Sei o que custa, o que tenho de fazer e calculo mais ou menos o tempo que vou demorar. A cenoura não é o palco. A cenoura é a dança. Sou eu na dança. Sou eu, na pele da bailarina que quero ser. Visto daí, talvez seja uma futilidade. Não é problema meu. Visto daqui, é fundamental para o meu bem-estar. Não deixei de gostar de mim. Mas preciso e quero voltar à minha forma anterior. 

Boca fechada e rabo a mexer. Na semana que vem, regressam as minhas aulas no meu ginásio. Regresso eu aos treinos antes das aulas, como fiz há uns meses. E quero regressar à bicicleta que tenho no meio da sala a ganhar pó. Sem promessas e sem compromissos. Faço o que posso, quando posso. Sem culpas, se não conseguir, se não me apetecer, se não der. É o que é. Dizem que são precisos 21 dias para mudar um hábito. Vamos a isso, então.

Porque não adoro a forma com que estou agora, nem me sinto bem com ela. Mas nunca me senti tão feliz...   

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