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03 setembro 2018

O amor dos outros

Eu não sou a pessoa mais romântica do mundo (no espectro do romantismo, estarei ali algures entre um 3 e um 4, numa escala de 0 a 10). Costumo dizer que sou um calhau com olhos ou um tractor, conforme o contexto. Balelas. Não sou. Mas há poucas coisas capazes de me tocar no nervo.

Juntemos a isto uma dose crescente de cinismo. De pouca crença. Não acredito na maioria das coisas que vão sendo mostradas. Tenho muita dificuldade em acreditar no "para sempre". Acredito no "agora", no "enquanto dura". E já não é nada mau.

Mas há amores que eu amo. Há amores dos outros que me fazem acreditar nesta coisa sem tempo nem barreiras, que tem todo o caminho pela frente. Felizmente, alguns destes amores vivem perto de mim e eu posso ir vendo e aprendendo. Há nestes amores uma dose absurda de ternura e segurança. Há olhos que brilham e línguas que se falam em silêncio. Há entendimentos tácitos e rotinas e nada disto é mau. Bem pelo contrário.

Estes amores dos outros servem-me de inspiração. Servem de farol. Algures, mais perto ou mais longe, há esta possibilidade, se eu tiver sorte. Isto existe. Isto é possível. Isto é uma espécie de "é isto que quero para mim, exactamente isto, com tudo o que há ali, está bom, não mexe". O meu amor dos outros preferido tem nome e rosto e eu tenho a sorte de os ter na minha vida, amigos de casa, de vida e de coração. Devíamos era beber as margaritas que temos prometidas há demasiado tempo. Sérgio e Raka, isto é convosco, sim?

1 comentário:

  1. Minha querida... Obrigada.
    Há uma coisa em amores da adolescência (da minha foi)... crescemos juntos. E se isso tem de bom porque nos acimenta, tem de mau porque nos faz perder o decoro mais rapidamente.
    Uma vez li algures na blogosfera "há muito amor guardado na paciência". E é tão isto. É tanto aqui que eu peco, também. De resto, uma dose de amor, com alguma de teimosia. <3 Beijinho, querida

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