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17 outubro 2018

Cinco peças do meu puzzle

Somos todos feitos de pequenas peças que, juntas, formam um puzzle. Ou uma manta de retalhos. Tem dias. Sei que há em mim uma série de peças que, se fossem postas lado a lado, nunca encaixariam (o que vale é que há outras peças pelo meio a fazer a ligação).

Posto isto, seguem cinco factos absolutamente aleatórios sobre mim, que são mais importantes do que parecem..

Super memória
Não é propositado, mas decoro datas com a maior das facilidades. Sei aniversários de colegas, de pais, mães e irmãos de colegas, de namoradas de colegas, sei datas de início de namoros e de casamentos de colegas, sei aniversários dos filhos deles. Sem esforço, sem mnemónicas. Por norma, basta dizerem-me uma vez. É preciso estar muito preocupada com outra coisa qualquer ou realmente muito cansada para não memorizar todas as datas que me dizem aqui e ali.

De alecrim e cemitérios
O cheiro do alecrim faz-me SEMPRE lembrar cemitérios. Isto tem somente que ver com memórias minhas de infância: a minha avó tinha imenso alecrim no quintal e o cemitério é das memórias mais fortes que tenho da minha infância. O facto de ter usado esta memória para alavancar o meu primeiro romance fez com que ela ganhasse ainda mais força.

A festa de aniversário do avô Carrilho
Quando era miúda, passava os Verões no Alentejo, com os meus avós maternos. O meu avô fazia anos naquela altura e houve um ano em que eu me apercebi de que não haveria festa - nunca tinha havido. Como assim, o avô faz anos e não há festa? Obriguei a minha avó a fazer um bolo, chamámos as vizinhas e o avô Carrilho teve a sua única festa de anos da vida. Esta festa também está no meu livro.

Carregar cartuchos
Fui criada com os meus avós paternos muito perto de mim. Ia para casa deles quando saía da escola, passava lá as tardes. O meu avô, que era caçador, ensinou-me a carregar cartuchos. O cheiro da pólvora ficou até hoje. O ritual de pôr o fulminante, a pólvora, o chumbo e a tampa que aquilo levava, se a memória não me falha.

Pontaria
Algures no meu terceiro ano de faculdade, fiz parte da associação de estudantes, Organizámos um fim-de-semana no meio do mato, com provas de canoagem, rapel, slide, orientação e arco e flecha. Eu estive sempre junto das tendas, a dar apoio. Excepto numa altura em que fui ao posto do arco  e flecha. Pedi para experimentar. Mandaram-me ter cuidado porque estavam pessoas ao lado do alvo. E árvores, também havia árvores. Armei aquilo e disparei. Bull's eye. Pedi para repetir. Armei, disparei de novo. Bull's eye outra vez. Nunca mais disparei nada parecido.

(Querem mais peças do puzzle de vez em quando?)

1 comentário:

Obrigada!