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06 novembro 2018

A porta está aberta

Fui convidada pela Susana, autora do facelog Ser Super Mãe é uma Treta, para responder ao inquérito rápido a mães que ela tem publicado semanalmente. Sabem aqueles textos que nos saem da (i)alma e que sabem mesmo, mesmo bem escrever? Foi o caso deste. Que gozo do caraças que eu tive a responder àquilo!
Bom, o meu inquérito saiu hoje e trouxe-me muita gente nova aqui para o pardieiro. Tudo orgânico, 'tá? Não comprei seguidores!

Portanto, pessoas novas recém-chegadas, é o seguinte: não sou de famílias betas, sou (muito) suburbana, ando de comboio e de metro todos os dias, também já experimentei as trotinetes que há agora em Lisboa e não gostei, que aquilo faz doer os antebraços, não tenho irmãos, tenho dois filhos que trato por nomes que não são os deles (especialmente em público e mais especialmente ainda se calha estarmos perto de pessoas que acham que se mede alguma qualidade humana com base nos maços de notas com que se anda na carteira (sentido figurado, claro), portanto, oficialmente tenho a Leonor e o André, às vezes são o André Manel, o J'quim, o André Augusto, a Marilú (acho que já contei aqui a história desta alcunha), a Joaquina e a Gertrudes (dito Xtrudes, obviamente). 

Escrevo em blogs há 15 anos (neste endereço desde 2008), nunca fui paga para escrever (mas até podia ser, não me importava nada de escrever comunicação institucional para pequenas empresas, também não me importava nada de gerir redes sociais de um ou dois pequenos negócios - olhem eu a ter ideias!), não tenho um catálogo online, vou ao Lidl quando preciso de comprar coisas (normalmente iogurtes porque são baratos, gel de banho e cremes de corpo) e não quando há lançamentos de colecções (cof...) de coisas, já fui a eventos de blogs (muito carinho pelos do Ikea porque, bom, são do Ikea e aquilo é giro de se ver, mas tudo o que tenho em casa de origem sueca foi pago por mim), já deixei de ir.

Não tenho códigos de desconto da Prozis, não tenho pachorra para isso e até sou (muito) cliente - já fui mais, que entretanto a minha vida levou aqui uma volta e eu deixei de ter tanto tempo para treinar. 

Sou pouco dada a evangelizações, até posso desafiar as pessoas a experimentarem qualquer coisa que eu ande a fazer, mas daí a andar no massacre da angariação de clientes/participantes/o que for vai todo um comboio de papéis a que não me presto.

Tudo o que disse no inquérito da Susana resume bem a minha postura: não sou de salamaleques, gosto pouco de fogos de artifício, não tenho o menor fascínio pelos holofotes nem me interessa ser famosa só porque sim. Recuso-me a vender os meus filhos a troco de likes, não os exponho na net, não há uma foto deles que seja em lado nenhum (daquelas em que se vêem caras, porque de costas há duas ou três). Nada contra quem faz disto o seu negócio/modo de vida, mas não é mesmo a minha cena: prezo demasiado a privacidade (minha e deles) para me sujeitar a isso e, principalmente, para os sujeitar a eles. 

Digo o que penso, não faço fretes, não sou fofinha, nunca sacaria uma faixa de miss simpatia mas prezo muito a amizade. Sou de abraços e de afectos, mas digo que sou um tractor - e sou porque, lá está, não tenho papas na língua para dizer o que penso.

Aqui falo da vida no geral, da minha vida em particular (q.b., que a minha mãe é freguesa da xafarica e, apesar de eu ter quase 40 anos, ainda me dá nas orelhas como se eu tivesse 8), escrevo uns micro-contos à terça-feira (hoje por acaso não porque estou de cama e sem inspiração). 

Tirem os sapatos à entrada, sintam-se em casa e bebam um gin por aqui. Sejam bem-vindas.

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