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14 novembro 2018

Heranças

Nem sempre gosto de ver a maneira como os meus filhos são pequenas réplicas minhas mas há coisas em que tenho um orgulho do caraças: sentido de humor e gosto pela leitura.

Lá em casa há centenas (largas centenas, vá) de livros. Não há livros escondidos (bom, há um da Érica Fontes que me foi emprestado como curiosidade, que ainda não cheguei a ler - e que não me parece que venha a ler - e que não faço questão que eles encontrem, mas tirando isso é à vontade), está tudo à disposição. Claro que, sabendo o que sei hoje, se calhar vou tentar evitar que a miúda leia "A Insustentável Leveza do Ser" aos doze ou treze anos, como fez a mãe dela, mas pronto. 

O meu ponto é este: eles sempre me viram agarrada a livros, tenho livros em todas as divisões da casa, leio enquanto estou no sofá, leio na cama, no wc, até a cozinhar ando ali de audiobook nas orelhas. Sempre. E eles desde pequenos que adoram livros. O miúdo então foi de mais: andou ansioso para começar a ler porque era o único que não conseguia e isso deixava-o frustrado, mas não o impedia de interagir com livros: todas as noites se deitava na cama a "ler" um livro (pedia-me que lho lesse uma vez, memorizava a história e repetia-a depois sozinho). 

Agora todas as noites pedem se podem ficar um bocadinho a ler - podem sempre. Ela anda embrenhada no Harry Potter - e a pedir para ir à biblioteca buscar o próximo livro, porque quer ler e ver o filme a seguir. Ele respira dinossauros e tudo o que seja livro sobre o assunto é lido até já não existirem letras.

É este o meu contributo para a causa da literatura: garantir que eles têm à disposição os meios para serem leitores ávidos, incentivar o exercício, fazê-los perceber que os livros são uma óptima companhia (principalmente se se virem na contingência de não terem mais companhia nenhuma). E tenho a certeza que é precisamente porque gosta de ler que já começam a gostar de escrever. E sim, isto deixa-me mesmo muito orgulhosa.

Estou muito longe de ser a melhor mãe do mundo, mas tenho a certeza de que estou a fazer isto bem. 

2 comentários:

  1. As minhas filhas (quase 13 e quase 11) são leitoras mesmo ávidas. Costumo dizer que se lhes fosse fazer a vontade não ganhava para livros. Saem a mim, mas na idade delas. De momento, como a minha vida profissional gira muito à volta da leitura de histórias de vida, confesso que preciso sempre de trabalho de mãos para os meus tempos livres.

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