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15 novembro 2018

Vulnerável

Ser vulnerável não é ser fraco, não é ser incapaz, não é estar aquém. Ser vulnerável é permitir que a estrutura abane, é saber que há vida, é aceitar o medo e a falta de ar. Ser vulnerável é aceitar a imperfeição, é aproveitar para crescer, é entender que somos feitos de carne e sangue e lágrimas. Ser vulnerável é baixar a guarda, mostrar o flanco, aceitar a possibilidade da dor.

Durante muito tempo, não aceitei a minha vulnerabilidade. Achei que não podia, que tinha de ser sempre um rochedo, que nada podia afectar-me, que eu tinha de estar sempre acima das tempestades que viessem. E quando sentia a água a chegar-me aos pés, fugia, refugiava-me, trancava-me na minha concha, para que nada me tocasse mas, acima de tudo, para que ninguém se sentisse na obrigação de me mimar para sossegar a tal vulnerabilidade.

Ontem não estava bem. A constipação a voltar, as hormonas a operarem maravilhas, a falta de sono da noite anterior e ontem o mundo era uma nuvem muito negra prestes a rebentar numa trovoada à minha volta. Podia ter-me escondido debaixo dos lençóis até aquilo passar. Mas eu sabia o que me faltava, sabia o que poderia dissipar tudo aquilo. E em vez de me esconder na minha concha (que é uma concha confortável, tranquila e bem arranjada, fruto de anos e anos de trabalho nisto), mostrei o flanco, despi-me de muralhas e disse de forma clara o que me fazia falta. 

Há abraços que nos salvam. Ontem salvaste-me assim. 

1 comentário:

Obrigada!