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04 dezembro 2018

Antes & Depois

Chamemos-lhe evolução, aprendizagem, apuramento, velhice. Não importa. Há um Antes & Depois para todos nós, na vida. Este é o meu.

Atrasos

Antes:
Jantar marcado para as 21h. Lénia a chegar tranquilamente com uma meia hora de atraso. Porquê? Porque calculava mal as horas, não geria bem o tempo, demorava mais do que o esperado em coisas que eu até já sabia que iam demorar mais do que estava a contar (tipo escolhe roupa e maquilhar-me - tudo coisas importantíssimas, portanto). O pior era o meu ar plácido de quem está na boa com o atraso. Quer dizer, era apenas um jantar/saída/café, não era como se estivessem à minha espera para salvar a vida de alguém. 

Agora:
Se é às 21h, eu chego às 20h50. Se sei que só tenho meia hora para me despachar, ajusto o que tenho de fazer ao tempo disponível e não o inverso. O facto de ter apurado a técnica dos duches de 5 minutos ajuda, claramente. O facto de cada vez me chatear menos a decidir o que visto também ajuda. Na rara eventualidade de me atrasar, aviso assim que percebo que estou atrasada e os ditos atrasos nunca, mas mesmo nunca passam os 15 minutos. Odeio deixar pessoas à minha espera. E odeio que me deixem a mim à espera. Mesmo. Acho de uma falta de consideração atroz. Aprendi que o tempo que deixamos os outros plantados à nossa espera diz muito acerca do respeito que lhes temos. E acho mesmo que, se as pessoas sabem que são uma espécie de atrasados crónicos e não fazem nada para mudar isso, então o caso é grave.

Organização

Antes:
Vivia bem no meio do caos. Sabia sempre onde estava aquele papel, aquele livro, aquela peça de roupa. Era o típico caso de desorganização organizada. Na verdade, tudo aquilo era ruído visual e só poluía a minha vida.

Agora:
Não consigo. Não sou a rainha da organização - muito longe disso - mas preciso de mínimos para me sentir confortável. As coisas foram ganhando lugares, que respeito criteriosamente. Desenvolvi uma forma suave de OCD em alguns assuntos... e até acho que devia aprofundar mais a coisa, visto que isso me ajuda a limpar poeiras e a organizar o que interessa.

Planos

Antes:
Vivia, no máximo, com 24h de antecedência. Fazia zero planos a médio prazo (sendo que planear à terça uma coisa para sexta era, para mim, médio prazo), muito menos a longo prazo. Gostava da imprevisibilidade, achava que o facto de não marcar nada com antecedência me dava a liberdade de fazer tudo o que me apetecesse.

Agora:
Não consigo viver sem rede. Eu sei que os planos podem ser alterados, que imprevistos acontecem, que se descombinam coisas e a vida segue. É a tal liberdade. Mas agora, com quase 40 anos de vida nos costados, preciso da segurança de saber para onde vou. Não é uma prisão, não é uma gaiola. Mas gosto de saber com o que conto, até porque isso me permite gerir tudo o resto em conformidade. Na verdade, é como se a minha vida fosse um imenso tabuleiro de tetris onde vou ajustando peças de maneira a que tudo encaixe. Isto acontece porque tenho mil coisas para fazer e quero chegar a todo o lado. Mas a prioridade são sempre, sempre as pessoas. As minhas pessoas. Faço e desfaço planos para estar com as pessoas de quem gosto. Deixo de fazer coisas minhas para estar com elas e isso sabe-me mesmo, mesmo bem. Ponho tudo em pausa pelo café com a Lia, pelo filme no sofá com os miúdos, pelos abraços dele.


Não sei se cresci, se perdi ou ganhei qualidades. Sei que tenho tentado dar aquilo que gostava de receber (mas não dou esperando algo em troca, atenção). Tento mesmo agir de acordo com a maneira como eu gostava que agissem comigo. Tento ao máximo aligeirar a minha carga. Sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer e gostava mesmo de repetir este post daqui a um ano dedicando uma secção ao perfeccionismo que é exacerbado em mim e que me congela e impede que faça coisas que quero fazer. É isso que sinto que tenho de trabalhar a seguir, é nisto que quer investir. Sei que preciso de ajuda com isto e acho que sei quem me pode "salvar"... É um work in progress - voltarei a isto um dia...

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