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09 janeiro 2019

Sobre a polémica do pós-parto da Rita Pereira

2007, Dezembro.
Pequeno rewind: durante a gravidez da minha filha, aumentei 8kg, fui de uns jeitosos 55kg aos 63kg. Primeira filha acabada de nascer. Saio da maternidade com as minhas calças pré-gravidez. Natal à porta. Amamentar. Catarina Furtado como som de fundo a dizer que emagreceu este mundo e o outro porque amamentou. Eu a amamentar e a comer torradas a pingar manteiga e a virar copos de meio litro de leite. Sim, enquanto amamentava. Fim de Dezembro. Peso novamente 63kg. Nas três primeiras semanas não me conseguia sentar (fui atingida pelo clássico "pontinho demasiado apertado". Quando voltei a conseguir mexer-me tinha engordado todo o peso que perdi no parto. Sentia-me uma lontra. Mesmo. Não houve depressões nem babyblues, mas houve muito mal-estar, muito não gostar do que via, muito não me sentir bem comigo mesmo. A última coisa que me apetecia era dançar.

2011. Janeiro.
Pequeno rewind: durante a gravidez do meu filho, engordei 12kg, tendo ido de uns avantajados 63 até uns inenarráveis 75kg (para mim, que andei sempre ali a bater nos 52/54kg, isto era uma alarvidade). Quatro destes quilos foram ganhos, adivinhem... em Dezembro. Because... Natal. Bom, a cria nasce, parto super tranquilo, aqui a mãe fresca que nem uma alface, no dia seguinte recebo as visitas sentada na cama, como se não se tivesse passado nada. Estava óptima, sentia-me capaz de tudo e mais um par de botas (e nada de pontinhos mais apertados!). O peso foi embora, não voltei logo aos 63, mas andei ali nos 65 e não me stressei muito com isso. Sentia-me muito melhor comigo do que no pós-parto da miúda, mas também não fui dançar. 

De ambas as vezes demorei um bom bocado a sentir-me capaz de voltar à minha vida normal. Não fazia desporto antes, não cuidava de mim e foi o que foi. Se voltasse a ser mãe agora, pese embora tenha quase 40 anos (que é a principal razão por que isto não vai acontecer), tenho a certeza de que recuperaria muito mais rapidamente. A cabeça também é outra e hoje sou muito mais capaz de lidar com as minhas adversidades (apesar de me apetecer berrar muitas vezes e de dizer demasiadas vezes foda-se). 

Isto para dizer o seguinte: o que a Rita Pereira fez está adaptado à condição dela. Problema dela. É a realidade dela. 

Mas não tem de ser a realidade de mais ninguém. Não é porque esta pariu e dez dias depois está a fazer altas coreografias na TV que nós temos de fazer o mesmo. Cada corpo é um corpo. Cada realidade é uma realidade e é nestas alturas, quando insistimos em comparar-nos com as outras, que isto de viver nas redes sociais ganha uma dimensão um bocadinho perversa.  

1 comentário:

Obrigada!