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19 fevereiro 2019

Movie time... again...

Como de costume, enquanto a vida lá fora vai andando em stand-by, o cinema ganha espaço. Falta-me ver pouca coisa dos Oscars, não creio que veja tudo a tempo, mas pelo menos o Green Book vai ter de ser porque desconfio que o boneco vai para casa do senhor Viggo este ano. Bom, adiante.


Este foi o filme do dia do meu aniversário, este ano. Tenho alguma tendência para escolher coisas pesadas (excepto no ano em que tive a infeliz ideia de ir ver o La La Land e me arrependi para a vida). Este ano não foi excepção. Não sabia ao que ia. Sabia que aquilo era um papelão da Nicole Kidman. Sabia que contava a história de uma polícia que se depara com o regresso de um caso antigo. O filme é a Nicole Kidman. Ela é o ventilador daquilo tudo. Estava a achar um "bom, é ok, vale pela interpretação dela, a história é meio meh..."... até que aquilo leva ali um plot twist que muda tudo e... Wow.... Que filmaço! Vale muito a pena... Mesmo.


Não sabia bem o que esperar disto. Thriller? Anne Hathaway? Siga. Bom... neste filme, nem tudo o que parece é. É um médio-bom, daqueles para ver no sofá, numa noite de sábado. Não é uma obra-prima, não é nada por aí além, mas vale a pena mesmo assim.


Quando o cinema nos leva ao limite, quando nos revira as entranhas, quando nos arrasta do conforto do sofá, da certeza da vidinha mundana que, mais conta, menos conta para pagar, segue tranquila, quando nos faz ter vergonha dos nossos queixumes que não são nada perto do que vemos ali, naquele ecrã, a ficção que se calhar não é assim tão ficcionada, vidas tão piores do que as nossas... Quando o cinema nos faz isto, temos a certeza de que nunca nos esqueceremos daquele filme.

Aconteceu-me com poucos. "A Vida é Bela", "O Rapaz do Pijama às Riscas" e pouco mais. E aconteceu-me com este, que é um chapadão na cara, sem aviso, sem misericórdia nenhuma. Senti-me pequenina, pequenina perante o que vi. Ali está o degrau mais baixo da pobreza, está a miséria, está a sobrevivência, está uma pessoa que faz o que tem a fazer, que podia fazer tudo errado, dado o contexto, mas não faz. É uma lição de vida gigante. Daquelas para nunca mais esquecer. (E depois é árabe, que é uma das minhas fixações. E começa logo com uma banda sonora maravilhosa. E é realizado pela Nadine Labaki, que já tinha feito outro filme que adorei - "Caramel" - e cujos outros dois filmes quero ver rapidamente.) Se não quiserem ver mais nenhum filme este ano, vejam este. Vejam mesmo. Mas preparem-se para o embate - vai ser duro.

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