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19 fevereiro 2019

The big 4.0

Fiz quarenta anos. Durante imenso tempo, achei que ia morrer antes e lá chegar (não me perguntem porquê, não sei, não faço ideia, é uma estupidez como outra qualquer). 

Há treze anos que não comemorava o meu aniversário. Fui deixando de achar que havia razão para isso, afinal de contas eu sou só uma entre sete mil milhões de pessoas e não importo para nada. Este ano resolvi que ia comemorar "para dentro". Havia de fazer coisas de que gosto muito, havia de estar com pessoas de quem gosto muito, mas sem anunciar o que se estava a passar. Quase consegui. Fiz a coisa em modo festa cigana: de dia 8 a dia 16, andei em comemoração. Entre saídas com amigos (normais, só para mim é que havia razão para estar ali, além da razão comum que é apetecer-me dançar), jantares e cafés, a semana passou.


No dia 16, sábado, a beber um café com a Lia ela insiste na pergunta: por que é que não fazes um jantar? Não me apetecia. Mas... perdido por 100, perdido por 1000. Meia hora e montei a coisa. Juntei seis amigos (e a pequena Lu, filha de dois deles, que é só a miúda mais espectacular de sempre, sou muito fã, assumo), daqueles que eu sei que nunca me falham. É tudo o que preciso na vida. Presenças. Às vezes silenciosas, mas sempre ali. Como eu para eles. Não fomos longe: restaurante quatro prédios ao lado do meu. Cinco meses depois, comi carne. Apeteceu-me uma francesinha, não devo justificações a ninguém, comi a francesinha, soube-me pela vida e no dia seguinte a minha vida sem carne seguiu normalmente.

Juntei pessoas que não se conheciam, acho que toda a gente gostou daquele bocadinho, eu percebi que nem sempre as pessoas me viram costas e me ignoram. Ou melhor, percebi que não preciso de muito para estar bem, percebi que tenho pessoas que gostam de mim o suficiente para desviarem um bocadinho o caminho que tinham planeado só para estarem ali comigo. Não tive ali toda a gente que queria ter tido e tenho pena, mas é a vida e não gosto menos das pessoas por isso. 


Acabou em grande a minha festa cigana. Cheguei aos 40 com a certeza de que não estou tão sozinha como pensava. (E também aprendi que meias presenças não ocupam lugar.) 

À minha Lia, o agradecimento do costume, por estar sempre lá, por me abrir os olhos, por me abanar os ombros e por me dar todos os pares de estalos de que preciso. És a minha pessoa. Sempre. 

E agora... siga viver isto dos 40 anos que, para já, está a ser maravilhoso.

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