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13 fevereiro 2019

Um livro e uma metáfora

Fiz 40 anos e percebi uma série de coisas. A primeira é que não sou feliz porque deixei que a minha felicidade dependesse de terceiros. Parece coisa de miúda de 20 anos? Pois. O que eu sei é que, há uns tempos, tinha chegado ao ponto de equilíbrio: estava segura, tranquila e feliz, eu só comigo e isso bastava. Depois o coração acelera e de repente estás tão mais feliz quanto o retorno que recebes e se a coisa começa a engasgar começas a perder o brilho e quando dás por ti a felicidade é um verbo conjugado no pretérito. Avancemos.

Já tinha decidido que, este ano, os maus livros com que me cruzar vão ficar por ler. Tenho esta mania (parva) de ler as histórias até ao fim, na esperança de que algures a meio do caminho a coisa melhore brutalmente e faça a viagem valer a pena. Mas, sejamos honestos, já tenho idade para saber que provavelmente não vai acontecer. E, de caminho, perdi tempo de vida a ler aquilo quando podia estar a ler um livro realmente bom. A lição a aprender aqui é esta: não posso ter medo de deixar para trás o que não me enche as medidas. 

Há umas semanas comecei a ler um livro, "Fechada Para o Inverno", de Jørn Lier Horst. Uma merda. A tradução só piora a experiência, aquilo é desinteressante, não é fluído, é todo um novelo de coisa nenhuma. Li metade do livro. Hoje vinha no comboio e pensei: mas por que é que eu estou agarrada a isto? O que é que me obriga a ler isto até ao fim? O tempo que ando a empatar nisto podia estar a ser usado para ler outra coisa como deve ser. Tenho dezenas de livros por ler em casa. Seguramente muito melhores do que este (que veio da biblioteca, portanto o gasto não é nenhum). Enquanto ando a marinar nisto podia estar a aprender coisas como deve ser. Enquanto ando aqui parada não avanço para lado nenhum.

Às vezes, basta virar a página. Noutras, é preciso fechar o livro. Hoje fechei o livro. (Pus os phones e vim o resto do caminho a ouvir um audiobook que está a ser uma experiência muito, muito melhor. A vida a abrir janelas quando há portas que se fecham. E está tudo bem.)

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