-->

Páginas

11 março 2019

Quem quer casar com o meu filho?

Nota prévia: Vi uns 10 minutos do programa. Tenho impropérios para três gerações. (Mãe, é provável que este post contenha asneiras.)

Para início de conversa, assim que soube do que tratava esta porra, decidi que não quero ver isto. Do not feed the animals costuma ser um bom princípio. Depois, e porque vi a celeuma por aí, achei que tinha de espreitar. Devo dizer que tive MUITA dificuldade em ver asa apresentações daquela gente. Começa logo mal. Mas avancemos.

Tudo neste conceito está errado. TUDO. Em primeiro lugar, dá aos homens o papel de macho-alfa, caçador, que deverá ser conquistado pelas mulheres. A estas cabe o papel de se tornarem na escolha daqueles. Têm zero poder neste processo. Entram ali, sentam-se, são bombardeadas com perguntas e, quando não servem, são postas a andar. Maravilha para a auto-estima delas, obviamente.

Depois, as mães. Eu acho que isto é uma cena geracional: a minha geração ainda é aquela em que as mulheres eram educadas de uma maneira e os homens de outras (conheço vários casos de irmãos, rapazes e raparigas, que foram educados de forma diferente, o que resultou em mulheres que fazem tudo em casa e em homens que nem uma porra de uma t-shirt são capazes de passar a ferro). Eu achava que esta merda tinha acabado. Ingénua, eu sei. Aquelas mães vão para ali escolher as mulheres para os filhos. Critérios: é jeitosa, sabe cozinhar, não tem filhos, não fuma? Matem-me já.

Como há que aproveitar recursos, a TVI apostou em candidatos requentados. Lembram-se do casal do First Dates que se tornou viral por causa de uma conversa sobre viagens, em que a rapariga afirmava ter visitado três países - Espanha, Itália e Açores - e o rapaz reiterava que eram apenas dois? Estão ambos neste primeiro episódio. 

Bom, resumindo: isto é a prova de que é possível viajar no tempo. Ontem acordámos 2019 e adormecemos em 1865. Impressionante. É vergonhoso que a TVI compactue e incentive um programa que objectifica as mulheres (se bem que a TVI é detentora do Love On Top, de onde, aliás, também aterrou pelo menos uma das candidatas disto), que as põe no papel de submissas a quem cabe a tarefa de manter satisfeitinhos estes machos que não fazem ponta de corno e que precisam de quem lhes dê comida à boca. é vergonhoso que a TVI perpetue esta visão patriarcal da coisa, onde os homens mandam e as mulheres se sujeitam.

Agora... calha que eu sou mãe de um rapaz. Para começo de conversa, nunca me sujeitaria ao papel de mãe de entrevadinho que não consegue fazer-se à vida sozinho. Depois, nunca escolheria mulher nenhuma para o meu filho. Em terceiro lugar, acho que a minha missão é fazer dele um homem em condições, que não precise de mulher nenhuma para sobreviver (da mesma maneira que tenciono fazer da minha filha uma mulher que não precise de um homem para sobreviver). Cabe-lhes a eles safarem-se sozinhos. Não precisam de mãezinhas. Nem desta mãezinha terão de precisar. E até acho que já deviam fazer mais do que fazem, mas fazem os dois igual: o que ensino a um, ensino ao outro. E espero que um dia que tenham de escolher companheiros, escolham os que os fazem felizes e não os que lhes façam o jantar e lhes lavem a roupa. Terei cumprido a minha missão se eles forem pessoas completas sozinhas e não precisarem de quem os preencha, mas sim de quem os transborde. Porque estes tipos parecem só todos uns inúteis que não cresceram, são incapazes de sobreviver sem supervisão e, na verdade, o que querem é uma empregada, não é uma mulher. E a culpa disto é, em primeira análise das mães, que não lhes deram as ferramentas certas, e em segunda análise, deles mesmos, que acham que estão bem assim.

Enquanto continuarmos a achar isto tudo normal e aceitável, não sairemos da Idade Média. 

Sem comentários:

Enviar um comentário

Obrigada!