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04 março 2019

Tabuleiro de Xadrez

Às vezes gosto de fazer este exercício: olhar para a minha vida de fora - e o que vejo faz-me sempre lembrar uma espécie de jogo de xadrez gigantesco. 

É giro ver como a vida se encarrega de nos pôr nos sítios certos, nas alturas certas. É giro ver como põe e tira pessoas do nosso dia-a-dia. É giro ver como nos traz pessoas que nos ensinam coisas e as leva embora quando já não temos nada a aprender.

O meu tabuleiro, hoje, está exactamente como preciso dele: com muito espaço livre. Levou embora as pessoas que já cumpriram a sua missão, deixou espaço para que eu cresça. Durante muito tempo, andei inquieta e a precisar de apoio. Agora não. Agora estou de novo em paz. Estava em paz no Verão passado. Tinha chegado finalmente ao ponto em que tudo o que eu fazia era respirar tranquilamente. Depois agitaram-se as águas e agora acalmaram novamente. Sou só eu e o meu tempo. Eu e as minhas coisas. Eu e o meu crescimento. Estou de novo pronta para o que a vida tiver para me ensinar.

Os últimos três anos foram lições incríveis para mim. Aprendi o que é o amor incondicional, que não morre com tempo, nem com distância, nem com obstáculos, nem com nada: Amor que sobrevive à ausência e que, mesmo que viva apenas em mim, me mostra todos os dias o que é isto de amar sem mas. Aprendi que sou suficiente. Tenho tudo o que preciso de ter, sou tudo o que preciso de ser. Aprendi o que é o amor-próprio e a não abrir mão dele por ninguém. E aprendi a dizer que não a tudo o que não me faz bem, a tudo o que não me acrescenta nada, a tudo o que não me ensina nada, a tudo o que me magoa, a tudo o que me faz duvidar. 

Perdoei tudo. Arrumei nos devidos lugares as coisas que me magoaram e já consigo olhar para tudo sem angústias nem mágoas.

Neste momento, sinto que tenho tudo o que preciso para seguir em frente. E sei exactamente por que caminho quero seguir. Se vou fazer esse caminho ou não é coisa que não depende só de mim. Mas, mesmo que não aconteça, estou em paz com isso e com o facto de ter vivido tudo o que pude, quando pude. E tenho a sorte de saber exactamente a que sabe a felicidade plena, o amor inteiro, o querer a vida toda ali. Se isto me basta? Não sei. Mas sei que sou muito grata por já ter tido isto, por ter vivido isto, por ainda saber exactamente a que sabe esta felicidade. 

O que virá a seguir? Não sei. Mas hei-de descobrir. E está tudo bem.

1 comentário:

  1. esta é a minha interpretação da frase da Catarina Beato: a vida resolve-se sozinha!

    e tanto que eu gosto dessa frase....

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