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28 maio 2019

A Maria do Instagram

A propósito da estreia de mais um disparate televisivo (Like Me, na TVI), apeteceu-me pensar um bocadinho sobre isto das redes sociais e do influencerziarismo (pronto, já estou a gozar... não tenho mesmo remédio!).

Vamos ignorar o Facebook, que isso é chão que já deu uvas, e foquemo-nos no Instagram. 

Breaking news: as pessoas querem ter seguidores porque isso é uma potencial fonte de rendimento. Desengane-se quem acha que a Maria quer chegar a 10 mil pessoas para as ajudar a escolher o rímel que hão-de usar ou o sítio onde hão-de fazer a próxima viagem. Há zero altruísmo na caça ao follower. ZERO.

A Maria quer 10 mil seguidores porque isso a valida enquanto influencerzzz e a aproxima de marcas e de coisas a que não chegaria de outra maneira. A Maria não quer 10 mil seguidores porque isso lhe desbloqueia uma série de funcionalidades bru-tais no Instagram (tipo a ceninha do Swipe Up, que é assim a mega invenção salva-vidas de todo o sempre - ESTOU A SER IRÓNICA, OK?!) (novo parêntesis para dizer que estou a rir até agora...). A Maria quer 10 mil seguidores porque isso poderá proporcionar-lhe coisas e experiências e dinheiro a que, com um trabalho dito normal, nunca na vida teria acesso.

A Maria não quer 10 mil seguidores para fazer um serviço à comunidade. A Maria quer 10 mil seguidores para se servir a si mesma. 

Quem faz este serviço não anda na caça ao seguidor nem ao like. E, quando tem de andar, é por um bem maior. Conheço vários casos de pessoas que usam a sua voz e o seu alcance nas redes sociais para fazerem serviço social. A Liliana, por exemplo, usa a sua rede para resolver casos de miséria, para ajudar famílias devastadas por doenças. A Marisa, por exemplo, usa a sua rede (que devia ser beeeeeeem maior) para alimentar famílias que passam fome. As Marias do Instagram andam em bicos de pés a pedir batatinhas, fazem-se convidadas para eventos, assumem-se como comunicadoras de vernizes e de cremes para... bom, para terem vernizes e cremes à borla e, no limite, para aumentarem o seu rendimento, que poderá servir basicamente, vá, uma família, que por acaso é a sua.

Nada contra. Cada um vive do que quer. Cada um vende-se pelo preço que quer, ou a troco do que quer. Mas não façam das pessoas burras a dizerem que querem os 10 mil seguidores para terem a porra do Swipe Up disponível no Instagram. Assumam as merdas que fazem. E, de caminho, já que estão numa de assumir, assumam a publicidade que fazem, assumam as borlas e as ofertas e o que escrevem a troco de dinheiro, em vez de continuarem a atirar areia para os olhos das pessoas. Ou acham mesmo que o mundo inteiro descobriu "aquele" detergente, "aquele" creme, "aquelas" toalhitas precisamente no mesmo dia? Pleaseeee...

5 comentários:

  1. não conheço a Marisa... mas gostava de conhecer. queres divulgar?
    a Liliana conheço e gosto muito do trabalho dela. :)

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    1. Oh... há tantas "Marias"...

      Vês? Conheces quem vale a pena conhecer...

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    2. Acho que a Sofia perguntou pela Marisa e não pelas Marias!

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    3. Duh para mim!! Pois foi!! Já pus o link para a associação no blog. E está prestes a decorrer mais um evento solidário e era fixe, tão fixe, que muita gente pudesse ajudar...!!

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    4. ahahahah! era mesmo isso! já fiz "gosto" na página. :)

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Obrigada!