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25 junho 2019

Living

Tenho muitas (demasiadas) vezes a sensação de que perco demasiado tempo com merdas. Não sei se é por ter batido nos 40 e ter começado a pensar que, se calhar, já vou a meio da viagem (espero ir a meio... ou menos, vá!, que não me apetece nada que isto acabe agora), ou se é mesmo por ter consciência do meu tempo enquanto bem precioso. Sei que dou comigo, cada vez mais, a achar que não devia perder tempo em coisas inúteis. 

Vou combatendo isto como posso, sem achar que tenho de estar sempre a fazer coisas. Aliás, muito do tempo que perco é tempo de descanso de que abdico para coisas tão parvas como... estar a varrer feeds de redes sociais.

Uma das coisas em que mais invisto tempo (e dinheiro...) é na leitura. Nunca vou entender as pessoas que dizem que não têm tempo para ler (ou para o que quer que seja). Não é NUNCA uma questão de falta de tempo. É SEMPRE uma questão de gestão de prioridades. O que, para mim, é prioritário, para outra pessoa pode não ser. Para mim, ler, ir ao ginásio e ver as minhas séries são coisas prioritárias. É por isso que lhes dedico tempo e é por isso que as encaixo no meu dia-a-dia como encaixo outras tarefas. Há pessoas que preferem ler revistas, dormir, passear o cão ou o canário. Não importa. Cada um gere as mesmas 24 horas diariamente, não é? As minhas 24 horas duram o mesmo que as de toda a gente. Mas, nessas 24 horas vezes não sei quantos dias que este ano já leva, já meti a leitura de 22 livros, já meti muitas horas de treino e de dança e muitos episódios de séries. Porquê? Porque isso me faz feliz. 

Tenho as minhas estratégias para aproveitar o tempo, obviamente. Acho que já falei de algumas. Por exemplo: ao domingo, faço comida para a semana toda, para depois demorar o menos possível com jantares em casa e para ter sempre comida para levar para o trabalho. Enquanto cozinho e enquanto faço a limpeza da casa, ando sempre com o telemóvel e uns phones atrás, para estar a ouvir audiobooks (os que tenho ouvido demoram entre 7 e 9 horas, pelo que, entre cozinha e limpeza, despacho praticamente um audiobook por fim-de-semana). Enquanto passo a ferro, vejo episódios de séries. Às vezes abdico do convívio à hora de almoço para ler, para escrever ou para ver mais um episódio de qualquer coisa, ou meio filme, conforme me apeteça. É raríssimo sentar-me no sofá, ao serão. Porquê? Porque, se for treinar ao fim do dia e tiver os miúdos comigo, significa que os vou buscar já perto das 21h, para ainda irmos jantar (e é aqui que entra a comida que fiz no fim de semana), depois ainda tenho de tomar banho, preparar as coisas para o dia seguinte e, vá, convém dormir (para terem uma noção, este mês tenho dormido em média 7.5 horas por noite, o que é maravilhoso, considerando tudo o que tenho para fazer).

Então, no meio disto tudo, o que é que eu NÃO faço? 
Não ando a passear em shoppings, não saio muito com amigos, não vou muitas vezes beber café fora. Evito deslocações demasiado extensas (já me bastam as horas que demoro de casa para o trabalho e vice versa - que, a propósito, são cerca de 2h30 por dia, que ocupo a ler e, vá, a navegar na net).

Claro que há excepções. E claro que deixo muita coisa por fazer. Ando para destralhar roupeiros há imenso tempo, tenho feito aos pouquinhos, mas não me tem apetecido abdicar do meu tempo em prol disto. Claro que ando cansada e que até me apetece não fazer absolutamente nada de vez em quando. E está tudo bem.

Isto tudo para dizer o quê? Que cada vez menos me perco em feeds vários - o do Instagram é a minha paixão e vou conseguindo ver tudo já sem estar constantemente a olhar para aquilo, que uso algumas apps que me ajudam nisto tudo e que sinto que aproveito cada vez melhor esta areia que me resta numa ampulheta que não sei até quando durará. E sabem que mais? Adorava ter tido esta consciência há uns 15 ou 20 anos. Tenho a certeza de que teria perdido muito menos tempo e de que teria investido estes anos todos de uma maneira muito mais inteligente.  

2 comentários:

  1. ola Boa Tarde...Gosto imenso de te visitar, é bom blog super simples, mas muito interessante, uma blog vida real, se é que me faço entender... falas.te em apps que te ajudam...podes partilhar... estou curiosa.
    Bjs

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    1. Posso, claro! Tenho usado a Bookly para contabilizar as horas de leitura e uma que se chama Forest, que te afasta do telemóvel: a ideia é plantares árvores que demoram X tempo a crescer e, enquanto a árvore cresce, não podes fazer quase nada no telemóvel. Tem-me ajudado imenso a manter-me focada e desligada de scrolls contínuos no Instagram, por exemplo. Outra coisa que fiz foi uma espécie de compromisso comigo mesma: assim que entro no comboio, ligo a música e pego no livro, e não mexo em redes sociais e afins até sair da estação. Resultado: se antes passava 10 minutos de viagem a ler e os restantes 20 a navegar na net, agora passo mesmo 30 minutos a ler, aos quais se juntam os 10 minutos de metro e os 10 de autocarro e de caminhada (sim, eu leio enquanto vou a andar na rua...). Tem sido mesmo bom e produtivo. (E obrigada por estares aí...)

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