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19 junho 2019

O amor é lindo


Às vezes, o amor é uma dobradiça perra, uma fechadura que não corre, o barulho de metal a raspar em metal, o arrepio na nuca que não vem das coisas boas, mas sim das coisas que parecem estar bem mas não estão. Outra vezes, o amor é um tetris onde as peças encaixam devagarinho e sem esforço, de vez em quando temos de virar uma peça para que não fique um bocadinho de espaço vazio, para que o encaixe se faça perfeito, mas ganhamos pontos e subimos de nível e o jogo evolui sem grandes percalços. É sabido: gosto de lâminas afiadas na carne, sangue a pingar devagarinho, aquele arrepio do perigo, da incerteza, da insegurança. Na ficção, gosto disto tudo. Na minha vida, já deixei de lado as chaves que não fizeram abrir a fechadura, o som áspero do metal é a antítese da saudade. Na minha vida, já só quero a Primavera do amor devagar, sem lombas acidentadas, sem drama desnecessário. Talvez seja a isto que sabe a maturidade. Já podiam ter avisado, uma pessoa gasta metade da vida a consumir-se sem necessidade nenhuma. 

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